domingo, março 1

Um ponto. Uma rede de amor I. O processo criativo na escrita do Livro em Braille: Distinta e Tirésias, o seu gato-guia. Por Marina de Jesus Leite

O processo criativo de cada escritor, escritora é diferente. No meu caso, sempre vejo como uma experiência coletiva de um lado e de uma profunda e obstinada pesquisa sobre minhas personagens e suas conexões do outro. Só é possível viver em rede, de forma que ponto a ponto (como o braille) a gente vá desvelando, revelando caminhos. 

 O livro infantil em Braille "Distinta e Tirésias, o seu gato-guia", aponta o tempo todo para a escuta, para o desconforto, para o desafio sobre o outro e nossa capacidade de conexão.  

Com um assunto tão sensível que narra a história de uma menina de 7 anos de idade, deficiente visual, tem suscitado a necessidade de repensar como transformar a questão da acessibilidade em uma reflexão de todos, de toda a sociedade. 

Nesse processo, busquei compreender a história pelo olhar da mãe.Assim, para fomentar reflexões fundamentais, chamei algumas amigas para me ajudarem na seguinte provocação: 

"Como criar estratégias para a mãe de Distinta planejar um caminho de ida e volta, da casa-escola-casa, sem se perder em si mesma, para a filha?"

"Como garantir para a filha o máximo de autonomia? Como criar, ponto a ponto, um roteiro para que o caminho seja o mais tranquilo possível?"

Vamos ver as dicas de Marina de Jesus Leite. 

As minhas estratégias seriam: 

1) perfazer o caminho até a escola e conhecer os arredores para ver qual o mais fácil/acessível 

2) depois faria o caminho com a Distinta identificando alguns pontos de referência 

3) conhecer o pessoal da escola para criar um vínculo de empatia/confiança 

4) acompanhar a filha até ela se formar

Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura: Saiba mais sobre a Portaria MinC n.º 243, de 9 de ...

Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura: Saiba mais sobre a Portaria MinC n.º 243, de 9 de ...: A Portaria MinC n.º 243, de 9 de outubro de 2025, consolida e atualiza as regras para a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (...

Saiba mais sobre a Portaria MinC n.º 243, de 9 de outubro de 2025 - PNAB Ciclo 2

A Portaria MinC n.º 243, de 9 de outubro de 2025, consolida e atualiza as regras para a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), focando no Ciclo 2 de repasse de recursos.
O documento unifica procedimentos de solicitação, execução e prestação de contas, garantindo maior transparência e segurança jurídica via plataforma CultBR, além de definir prazos e obrigações para entes federativos.
Principais Pontos da Portaria MinC nº 243/2025:
==>Consolidação:** Reúne normativas anteriores em um único documento, facilitando a gestão da PNAB (Lei nº 14.399/2022).
==>Foco no Ciclo 2: Estabelece diretrizes para o segundo ciclo de repasses aos estados e municípios, iniciado em 2025.
==>Plataforma CultBR: Institui o uso da plataforma para monitoramento e transparência na execução dos recursos.
==>Prazos de Execução: Os entes federativos têm até 36 meses, após o repasse da última parcela, para a execução financeira, com obrigação de devolução de recursos não utilizados à União em até 30 dias após o prazo.
==>Transparência Bancária: Exige o uso da plataforma BB Gestão Ágil para conta específica, garantindo rastreabilidade do dinheiro público.
==>Gestão de Inadimplência: Estabelece procedimentos em caso de omissão na prestação de contas, incluindo a instauração de tomada de contas especial se necessário.
[A norma entrou em vigor na data de sua publicação, visando apoiar agentes culturais e dar continuidade à política federal de cultura.]
***Links relacionados:
**Legislação PNAB**
-Lei Nº 14.399, de 8 de julho de 2022 - Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura
-Lei Nº 14.719, de 1º de novembro de 2023 - Diretrizes para aplicação de recursos da PNAB no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) -Lei nº 14.903, de 27 de junho de 2024 - Estabelece o marco regulatório do fomento à cultura, no âmbito da administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
-Decretos
Decreto Nº 11.740, de 18 de outubro de 2023 - Decreto regulamentador da Lei nº 14.399/2022
Decreto Nº 11.453, de 23 de março de 2023 - Decreto de Fomento à Cultura
-Portarias
Portaria MinC Nº 218, de 11 de junho de 2025 - Institui o Programa Nacional Aldir Blanc de Requalificação
Portaria MinC Nº 217, de 11 de junho de 2025 - Institui o Programa Nacional Aldir Blanc de Formação em Gestão Pública de Cultura
Portaria MinC Nº 216, de 11 de junho de 2025 - Institui o Programa Nacional Aldir Blanc de Apoio a Ações Continuadas
Portaria MinC nº 243, de 9 de outubro de 2025 - Estabelece diretrizes complementares para solicitação de recursos, execução, monitoramento e avaliação dos resultados da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, instituída pela Lei nº 14.399, de 8 de julho de 2022
-Instruções Normativas
Instrução Normativa MinC Nº 10, de 28 de dezembro de 2023 - Ações Afirmativas e Acessibilidade na PNAB
-Legislação Cultura Viva
Lei Nº 13.018/2014 - Política Nacional de Cultura Viva
-Portarias
Portaria MinC nº 206, de 13 de maio de 2025 - Define novas diretrizes para aplicação dos recursos da Aldir Blanc na Política Nacional Cultura Viva (PNCV) -Instruções Normativas
Instrução normativa MinC Nº 08/2016 - IN Política Nacional de Cultura Viva
Instrução Normativa MinC Nº 12/2024 - IN de Bolsas e Prêmios Cultura Viva
Fonte: https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/politica-nacional-aldir-blanc/politica-nacional-aldir-blanc/legislacao-ciclo-2 em 01/03/2026
Lúcia Tânia Augusto

sábado, fevereiro 21

A escritora e folclorista Andreia Patrícia participa, no próximo sábado, do Festival Sempre um Papo, iniciativa do Governo de Minas. Na oportunidade, divulgará suas obras "O livro do congadeiro" e "Memórias que não se perdem"#SempreUmPapo#EnergiaDaCultura

A escritora é folclorista Andreia Patrícia participa, no próximo sábado, do Festival Sempre um Papo, iniciativa do Governo de Minas. Na oportunidade, divulgará suas obras "O livro do congadeiro" e "Memórias que não se perdem"
#SempreUmPapo
#EnergiaDaCultura

segunda-feira, fevereiro 16

Registros e Proposições Poético-Pedagógicas: A Arte de Narrar a Margem com Walter Benjamin

Registros e Proposições Poético-Pedagógicas: A Arte de Narrar a Margem com Walter Benjamin

Introdução: O Resgate da Experiência no Silêncio da Modernidade

Em seu ensaio O Narrador, Walter Benjamin nos alerta para um sintoma cruel da modernidade: a perda da capacidade de intercambiar experiências. Substituída pela pressa da informação e pelo isolamento dos indivíduos, a narrativa oral — aquela que se partilha ao redor do fogo ou no balanço de uma costura — parecia condenada ao desaparecimento. No entanto, quando lançamos o olhar para as margens sociais e urbanas de Belo Horizonte, percebemos que o diagnóstico de Benjamin ganha contornos de resistência.

Nas salas de aula dos cursos de educação inclusiva, onde o ensino de técnicas de contação de histórias ganha vida, o que se faz não é apenas uma transmissão técnica de modulação de voz ou expressão corporal. O que se propõe ali é uma metodologia poético-pedagógica de devolução da palavra ao povo, transformando sujeitos historicamente silenciados em guardiões de suas próprias memórias.

1. O Narrador da Margem: Da Informação à Erfahrung

Benjamin divide a arte de narrar a partir de dois arquétipos ancestrais: o camponês sedentário (aquele que conhece as histórias locais, as tradições do seu chão) and o marinheiro viajante (aquele que traz as novidades de terras distantes). Na metodologia construída para o ensino da contação de histórias na educação inclusiva, o aluno da margem encarna a fusão dessas duas potências. Ele é o camponês porque traz em si a raiz, a origem do seu povo, a ancestralidade periférica; e é o marinheiro porque precisou navegar pelas adversidades de um mundo que tenta excluí-lo por sua condição física, mental ou socioeconômica.

Criada por IA: pintura Naïf com um Griot (viajante) com um índio (sedentário)

 

A metodologia se afasta radicalmente da lógica da "informação" moderna — que precisa ser explicável, imediata e consumível. A contação de histórias proposta na pedagogia inclusiva busca a Erfahrung: a experiência profunda, aquela que deita raízes no tempo e que só se materializa quando o corpo do narrador se faz presente. Ensinar a contar histórias na margem é validar que a vivência desses alunos não é um "caso clínico" ou um "dado estatístico", mas matéria-prima poética de valor universal.

2. A Comunidade de Escuta e o Corpo como Tecido Narrativo

Para Benjamin, a narrativa verdadeira tem uma dimensão artesanal. Ela se impregna na vida do narrador como a mão do oleiro no vaso de barro. No contexto da educação inclusiva, o próprio corpo do aluno — com suas marcas, ritmos, pausas e singularidades — é o barro. A metodologia poético-pedagógica compreende que a voz trêmula, a gesticulação alternativa ou o tempo expandido de um estudante com deficiência não são ruídos a serem corrigidos pela técnica, mas a própria assinatura de sua poética.

Além disso, a contação de histórias exige o que Benjamin chamava de "comunidade de ouvintes". O aprendizado ocorre na circularidade do afeto:

  • O tédio criativo: Benjamin dizia que o ritmo da vida moderna acabou com o tédio, que é o "pássaro onírico que choca o ovo da experiência". Na sala de aula, desacelerar o tempo pedagógico permite que a memória flua.

  • A escuta ativa: A técnica de contar histórias começa pelo direito de ser ouvido. Na margem, onde o poder hegemônico dita quem fala, o ato de escutar o outro no círculo de aula cria um espaço seguro para que a identidade se recomponha.

3. Escovar a História a Contrapelo: Uma Pedagogia da Redenção

Nas suas teses Sobre o Conceito de História, Benjamin afirma que é preciso "escovar a história a contrapelo" para resgatar a voz dos vencidos, daqueles que foram soterrados pela narrativa oficial dos vencedores.

A proposição pedagógica deste ensaio assume esse compromisso político e poético. Ao instrumentalizar o povo com as técnicas da oralidade, permitimos que eles próprios façam a arqueologia de suas origens. Contar uma história tradicional, um causo local ou uma vivência comunitária de resistência é uma forma de fazer justiça histórica. A pedagogia inclusiva se torna, portanto, uma pedagogia da redenção benjaminiana: ela recolhe os fragmentos, as ruínas do que a sociedade considerou "inútil" ou "marginal", e transforma esses estilhaços em joias da cultura popular.

 

Proposições Práticas para a Sala de Aula

1-O Objeto Amuleto (Conceito: A Dimensão Artesanal da Narrativa)
Duração: 40 a 50 min

Benjamin dizia que o narrador deixa seus vestígios na história como o tecelão no tapete.

  • A Dinâmica: Peça para os alunos trazerem de casa um objeto pequeno que tenha história (uma chave antiga, um lenço, uma caneca trincada, um brinquedo). Se o aluno não tiver ou esquecer, ofereça uma caixa com objetos variados (conchas, pedras, tecidos).

  • A Ação: Em círculos, cada aluno deve segurar o objeto com os olhos fechados por dois minutos, sentindo a textura, o peso e a temperatura. Depois, eles devem contar uma história (real ou inventada) a partir do tato.

  • Inclusão na Prática: Para alunos não-verbais ou com deficiências cognitivas severas, o objeto serve como ancoragem sensorial. Eles podem expressar a história através de sons, apontando para texturas ou usando expressões faciais que a mediação do professor traduz em palavras para o grupo, validando aquela expressão como narrativa legítima.

2-A Linha do Tempo Corporal (Conceito: A Experiência Vibrante vs. Informação)
Duração: 30 min

Para Benjamin, a informação é estéril; a experiência (Erfahrung) vive no corpo.

  • A Dinâmica: Estenda uma corda ou fita crepe no chão da sala de aula. Essa fita representa a linha de uma história comum (pode ser um conto tradicional conhecido por todos, como a história de um bicho da floresta).

  • A Ação: Cada aluno, ao seu tempo, deve caminhar sobre a linha e dar um "passo narrativa". Mas atenção: eles não usam palavras. Eles devem transmitir o sentimento daquele trecho da história (o medo do lobo, a alegria da descoberta) usando apenas o ritmo do próprio passo, um gesto ou a modulação de um som/respiração.

  • Inclusão na Prática: Alunos com mobilidade reduzida ou cadeirantes ressignificam a linha: o "passo" pode ser o movimento das rodas, a inclinação da cabeça ou o movimento dos olhos. O grupo aprende a desacelerar a sua escuta visual para acompanhar o tempo do outro, quebrando a pressa da "informação" moderna que Benjamin tanto criticava.


3-O Tecido das Ruínas (Conceito: Escovar a História a Contrapelo)

Este exercício resgata a memória coletiva da margem, juntando os fragmentos daquilo que a história oficial costuma descartar.

  • A Dinâmica: Espalhe retalhos de tecidos diferentes no centro da sala. Cada retalho representa um pedaço de uma memória local ou da comunidade dos alunos (o cheiro da chuva no teto de amianto, o som do ônibus lotado, o café passado na cozinha da avó).

  • A Ação: Um aluno escolhe um retalho e começa uma frase: "Eu me lembro de..." (trazendo uma memória real da sua origem). O aluno ao lado pega outro retalho e continua a história do primeiro, costurando a sua própria vivência à dele: "e lá também tinha...".

  • Inclusão na Prática: Ao final, os retalhos são amarrados ou colados juntos, criando o "Manto da Memória" do grupo. Essa dinâmica mostra que a história do povo não é feita de grandes heróis, mas de pequenos fragmentos cotidianos. Todos participam, independentemente de suas limitações, pois qualquer memória — por mais simples que seja — é um fragmento valioso que impede o esquecimento.

O Papel do Educador como Mediador Benjaminiano: Nessas dinâmicas, o seu papel não é o de um juiz técnico que avalia se a dicção está perfeita ou se a história tem começo, meio e fim linear. Seu papel é criar o que Benjamin chamava de comunidade de ouvintes: garantir o silêncio acolhedor e o tempo necessário para que o artesanato de cada aluno possa se manifestar.

 

Conclusão: A Poética como Prática de Liberdade

Desenvolver uma metodologia de contação de histórias sob a luz de Walter Benjamin é compreender que a pedagogia não pode ser um processo de domesticação ou mera capacitação funcional. Trata-se de uma intervenção poética no tempo. Ao cruzar a origem desse ensino nos cursos inclusivos de Belo Horizonte com o conceito de cultura de margem, o registro pessoal deixa de ser apenas um relato e passa a ser uma proposição teórica: a de que o povo, quando assume o papel de narrador, deixa de ser assistido pela história para se tornar o autor dela.

 

Por Lúcia Tânia Augusto 


Serviços prestados pela Epocriativa: Fluxo de Interferência nas Políticas Públicas e Validação de Ações

### **Fluxo de Interferência nas Políticas Públicas e Validação de Ações**
1. **Diagnóstico do Território e das Demandas** Levantamento das necessidades culturais, sociais e institucionais junto a artistas, gestores, comunidades e órgãos públicos.
2. **Curadoria Educacional e Planejamento Formativo** Estruturação de conteúdos, metodologias e programas de formação alinhados às diretrizes das políticas culturais vigentes.
3. **Capacitação da Cadeia de Valor da Arte** Formação de agentes culturais, gestores e técnicos para atuação qualificada, transparente e sustentável.
4. **Fortalecimento Institucional** Qualificação de organizações, coletivos e equipamentos culturais para gestão, prestação de contas e articulação com o poder público.
5. **Elaboração e Adequação de Projetos** Desenvolvimento de projetos tecnicamente consistentes, alinhados aos editais, planos culturais e marcos legais.
6. **Submissão e Acesso ao Fomento Público** Inserção dos projetos nos mecanismos de financiamento, ampliando o alcance das políticas públicas.
7. **Implementação das Ações Culturais** Execução organizada das atividades, com impacto social, educativo e territorial.
8. **Monitoramento e Avaliação** Acompanhamento de resultados, indicadores e metas, gerando dados confiáveis para gestores públicos.
9. **Validação Técnica e Institucional** Reconhecimento da qualidade das ações por conselhos, secretarias e órgãos de controle.
10. **Retroalimentação das Políticas Públicas** Produção de relatórios, diagnósticos e experiências que contribuem para o aprimoramento das políticas culturais.
### **Resultado Final** Esse fluxo transforma a atuação da Epocriativa em um elo estratégico entre sociedade civil, mercado cultural e poder público, qualificando projetos, fortalecendo instituições e contribuindo diretamente para políticas públicas mais eficazes, democráticas e sustentáveis.]]

Arte Naïf, poesia do cotidiano: Viva José Assunção!

Há uma força extraordinária na arte que brota da pureza, da observação atenta do cotidiano e da ausência de amarras acadêmicas. A Ar...