quinta-feira, abril 30

A "embaixada" na cultura popular brasileira e a Retomada da Identidade: Onde estão o Mestre e a Mestra? (CBO 3331-20)

 "Na cultura popular, a Embaixada é o lugar da diplomacia sagrada, do pedido de licença e do reconhecimento da autoridade de quem veio antes. É o gesto de "baixar a cabeça" não como submissão, mas como a maior prova de sabedoria: a humildade necessária para ser o porta-voz de algo muito maior."


O cenário cultural brasileiro atravessa um amadurecimento institucional decisivo. Em 6 de fevereiro de 2026, com a oficialização da ocupação de Mestres e Mestras das Culturas Populares e Tradicionais (CBO 3331-20), o Ministério da Cultura (MinC) passou a reconhecer formalmente o valor dos detentores de saberes orais.

No entanto, essa mudança lógica exige enfrentar um obstáculo persistente: os comportamentos e linguagens discriminatórias que ainda operam nas raízes do imaginário popular. O Afroturismo surge aqui como uma dinâmica de rastreamento da nossa identidade, instigando a pergunta essencial: "Cadê o Mestre e a Mestra que estavam aqui?"

Essa busca redireciona o olhar para territórios nunca antes previstos pelo turismo tradicional de matriz europeia. Enquanto o modelo clássico foca em monumentos estáticos, o Afroturismo mapeia a geografia dos afetos e da resistência: quintais, terreiros, cozinhas de lenha e rodas de reinados. É uma cartografia onde o destino é o encontro com a história viva.

Humildade e "Baixar a Cabeça": Pedagogia do Coração
"Baixar a cabeça" diante dos mestres e mestras não é submissão covarde, mas reconhecimento de autoridade, sabedoria e ancestralidade.

Na tradição popular, a Embaixada é o espaço do diálogo e do respeito. Ser "Embaixadora" ou "Embaixador" de uma cultura exige a capacidade de ser humilde: é saber baixar a cabeça diante dos Mestres e das Mestras para receber a bênção e o conhecimento. Só através desse gesto de reverência é que conseguimos acessar a oralidade sagrada e, assim, alcançar o coração da nossa sociedade.

No Curso de Educação Inclusiva (Módulo 1), a técnica de contar histórias com objetos tridimensionais e o uso do caderno de texturas potencializam essa voz. São ferramentas que transformam o saber falado e o rito em experiência tátil e sensorial, garantindo que a memória dos nossos guardiões alcance a todos, incluindo pessoas com deficiência visual.

Ao transformar o rastro oral em algo palpável e acessível, a Epocriativa, sob a gestão de Lúcia Tânia Augusto, cria pontes que resgatam lideranças silenciadas, unindo a tradição à inovação de um mercado que busca verdade e profundidade.

O lema "Nada sobre nós, sem nós" em solução corporativa. Hoje, a Epocriativa atua na consultoria estratégica, em Itabira, mapeando onde está a veia criativa dos afrodescendentes no território criativo. Quer demonstrar isso para empresas e instituições que desejam se adequar às novas agendas de Afroturismo, inclusão e patrimônio imaterial.

Nossa consultoria foca em três pilares fundamentais:

  • Adequação Normativa e Rito: Orientação sobre o novo CBO e a importância do protocolo de respeito aos saberes tradicionais em projetos culturais.

  • Mapeamento de Identidade Territorial: Identificação de territórios culturais invisibilizados pela lógica eurocêntrica, promovendo um turismo de base comunitária e ancestral.

  • Inovação Inclusiva e Sensorial: Desenvolvimento de metodologias (como objetos tridimensionais) que elevam o padrão de acessibilidade, permitindo que a oralidade seja sentida e compreendida por todos os públicos.

Ao unir o reconhecimento oficial do Estado à humildade de quem sabe ouvir os antigos, a Epocriativa constrói uma cultura onde a inclusão e a ancestralidade são as bússolas para o futuro.


⚠️ COMUNICADO: Informamos que as vagas para o Módulo 1: "Como contar histórias com objetos tridimensionais" estão ESGOTADAS.

Interessado em aprender a "pedir licença" e adequar seu projeto às diretrizes de afroturismo e acessibilidade? Entre em contato para consultorias personalizadas.

REALIZAÇÃO: Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura

LIDERANÇA E CONSULTORIA: Lúcia Tânia Augusto

PRODUÇÃO: Débora Tersália

APOIO: E. M. Coronel José Batista & Otimize Contabilidade e Gestão.

terça-feira, abril 28

O Despertar da Palavra: Arte, Inclusão e o Poder de "Fazer Levantar" - Contação de Histórias e Acessibilidade

Contar histórias é uma das artes mais humanas que existem. Como nos ensina a tradição náuatle, o narrador é o tlaquetzqui: "aquele que, ao falar, faz as coisas se levantarem". Na jornada da educação, esse "levantar" ganha um sentido profundo de dignidade quando alcançamos todas as crianças, sem exceção. É nesse encontro entre a ancestralidade dos Griots africanos e a urgência da acessibilidade contemporânea que se consolida o trabalho da Epocriativa.


 

Desde 2025, desenvolvemos o Ecossistema "Distinta e Tirésias, o seu gato-guia", uma iniciativa que materializa a inclusão por meio de três ações formativas complementares:

  1. Curso de Educação Inclusiva: 40 horas de imersão divididas em 4 módulos.

  2. Videocast "Imagem não é tudo": Série de 5 episódios que exploram a percepção além da visão.

  3. Livro em Braille com Kit Pedagógico Inclusivo: Obra tátil acompanhada de material de apoio.

O ápice deste ciclo ocorrerá no dia 13 de dezembro, uma data de imenso valor simbólico: o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual. Instituída em 1961, a data coroa  um ato de afirmação de direitos e visibilidade.


A Escola como Território de Democratização e Política Pública

Acreditamos que a educação, a arte e a cultura são fios de uma mesma trama. Por isso, a importância de produtores culturais ocuparem as escolas é vital. Quando um projeto cultural entra no ambiente escolar, ele constrói uma política pública articulada, transformando a sala de aula em um território de democratização.

  • Descentralização e Equidade: A cultura sai dos eixos tradicionais e chega à comunidade, garantindo que alunos com deficiência na rede pública acessem ferramentas de vanguarda.

  • Sinergia Institucional: A intersetorialidade entre as pastas de Cultura e Educação fortalece a sustentabilidade dos projetos e responde a desafios reais do cotidiano pedagógico.

  • Formação do Cidadão: Para a criança deficiente, acessar uma contação de histórias pensada para ela — com objetos táteis e estímulos sensoriais — é um ato de reconhecimento de sua cidadania.


Alinhamento com a Legislação e a IN 29/2026

Este movimento está em total sintonia com a modernização das regras de fomento à cultura. A Instrução Normativa MinC nº 29, de 29 de janeiro de 2026, que rege a Lei Rouanet, reafirma que a cultura deve gerar impacto social, profissionalização e acessibilidade.

A nova regulamentação permite que projetos de formação continuada — como oficinas, workshops e a produção de conteúdos audiovisuais acessíveis — sejam inseridos nas metas de democratização do acesso. Ao capacitar professores e utilizar objetos tridimensionais, o produtor cultural atua como um agente de modernização, transformando a inclusão de um conceito abstrato em uma prática viva e pulsante.

Ao unir o rigor técnico da IN 29/2026 com a sensibilidade ancestral da narração oral, criamos um ambiente onde a arte é utilizada como motor de transformação social. Que em cada escola, as histórias continuem fazendo a vida e a esperança "se levantarem".


Fontes Consultadas:

  • Curso de Educação Inclusiva: Como contar histórias com objetos tridimensionais, com Cleide Cissa e Lúcia Tânia Augusto.

  • Instrução Normativa MinC nº 29 de 29 de janeiro de 2026 (Lei Rouanet).

  • Curso "Contação de histórias para iniciantes", Andrés Montero (Domestika).

  • Artigo "Griots: Os contadores de histórias da África Antiga", Joseane Pereira.

  • Livro "Como contar contos", Daniel Mato.

Por Lúcia Tânia Augusto

sexta-feira, abril 24

Projeto Pertencimento Mapeamento da Economia Criativa Afro-Itabirana – Fortalecendo Nossa Identidade.

 

Por Lúcia Tânia AugustoHistoriadora e Gestora da Epocriativa

Há séculos, a gente em Minas caminha no ritmo dos ciclos econômicos. O ouro já passou, o ferro está cumprindo sua jornada, mas Itabira guarda uma jazida que não acaba nunca e que, agora, pede passagem: a nossa riqueza humana.


 

Se você olha para o horizonte e se pergunta "o que fica quando o minério acaba?", a resposta não é o vazio. Fica o que sempre esteve aqui: nossa arte, nossa cultura popular, nossos mestres e uma história que pulsa em cada esquina.

Do Extrativismo à Criatividade

A mudança que vivemos é, antes de tudo, uma mudança no olhar. Se por muito tempo fomos a cidade que "retira" da terra, agora somos convidados a ser a cidade que "cultiva" de dentro para fora. É o nascimento do Ciclo da Arte.

Em Itabira, esse novo ciclo tem cor, rosto e ginga: somos uma cidade com 73,5% da população negra e parda. Essa maioria vibrante é a dona dos saberes que vão manter Itabira viva. O silêncio que às vezes sentimos não é um fim, mas aquele fôlego antes do canto. É hora de transformar currículos em identidade e portfólios em mapas de possibilidades.

 


A Força que Fica: Nossos Mestres e Saberes

Enquanto as máquinas silenciam, os tambores e os saberes ancestrais ganham volume. O futuro de Itabira reside na nossa capacidade de valorizar o que é essencial: o talento que nasce da alma e a sabedoria que não precisa de molduras. Acreditamos em uma educação inclusiva e acessível, que não se perde na superfície da aparência ou na venda de imagens prontas, mas que mergulha na profundidade do saber fazer. É o reconhecimento de que cada pessoa, com suas diferentes formas de perceber e estar no mundo, contribui para a nossa riqueza coletiva através de:

  • Memória Viva e Plural: O resgate das narrativas dos nossos artistas negros e das trajetórias de pessoas com deficiência vai muito além do registro; é o alicerce para novos modelos de turismo e negócios onde a acessibilidade é a regra, e o talento, o protagonista.

  • Educação pelo Afeto e Inclusão: Nossos mestres e artesãos são os verdadeiros engenheiros desta era. Eles constroem pontes que todos podem atravessar, ensinando que o conhecimento se transmite pelo toque, pela escuta e pelo coração, garantindo que ninguém fique de fora dessa troca entre gerações.

  • Patrimônio Humano e Diversidade: Nossas irmandades e grupos de congado são os pilares de uma economia criativa que se fortalece na diversidade. É um sistema que não se exaure porque é baseado no valor humano real e no respeito às singularidades de cada mestre e aprendiz.

Um Convite ao Presente

A Epocriativa nasce para ser o solo onde essas sementes podem brotar. Quando você envia seu portfólio ou currículo, não está apenas preenchendo dados; está entregando uma ferramenta para construir esse novo tempo.

Queremos mostrar ao mundo que, se a mineração moldou nossas montanhas, é a arte negra e a cultura popular que moldam nossa alma.

O Amanhã já Começou

Falar de uma "Itabira Pós-Minério" não precisa dar medo. Pode ser uma festa para celebrar nossa potência! Convidamos cada artista, mestre de saber e agente cultural a dar esse passo com a gente.

O que sobra quando o minério acaba? Sobra o melhor de nós. Sobra a capacidade de reinventar a vida através da beleza e do fazer coletivo. Vamos juntos escrever esse capítulo?


Projeto Pertencimento Mapeamento da Economia Criativa Afro-Itabirana – Fortalecendo Nossa Identidade.

👉 Participe e responda pelo link: https://forms.gle/QszkFuSWDCQUQ8dp8

terça-feira, abril 21

Por que voltei a escrever para crianças: entre caminhos, encontros e um chamado

 

Entre 2023 e 2024, vivi um dos períodos mais intensos e transformadores da minha vida. Morei por mais de um ano em Sabará, e ali comecei, sem saber, a trilhar o caminho que me trouxe de volta à escrita.

Mais impactante foi perceber, nesse tempo, como a ideia de racismo, patrimônio e gestão cultural estão intimamente ligadas à educação inclusiva. 


 

Atuei como receptivo na Casa Aleijadinho, mediando histórias, patrimônios e memórias. Ao mesmo tempo, fui professora do Ensino Fundamental II na Escola Edith de Assis Costa, no bairro periférico Rosário I. Paralelamente, desenvolvi experiências de Afroturismo com membros da Pastoral Afro, articulando território, cultura e identidade.

Eu estava exausta. Trabalhava intensamente para me manter, enquanto vivia minha primeira experiência real com captação de recursos via editais. Era um mundo conturbado, cansativo — mas também iniciático e profundamente fascinante. Havia algo pulsando ali: histórias, pessoas, perguntas.

Mas a verdade é que esse caminho não começou ali.

Sou professora licenciada em História, formada em 1995 pela Faculdade de Ciências Humanas de Itabira. Ao longo dos anos, fui tecendo uma formação que atravessa educação, cultura e gestão: Especialista em Educação e Treinamento pela UNI-BH (1998), Especialista em Administração Pública com ênfase em Gestão Estratégica em Recursos Humanos pela Fundação João Pinheiro (2001), além de Gestora Cultural pela Fundação Clóvis Salgado (2000).

Em 2001, atuei como Supervisora Técnica da Pesquisa Origem & Destino. Mais tarde, em 2013, fui Consultora Técnica no Atlas de Desenvolvimento Humano, desdobramento de uma trajetória iniciada ainda em 2007, com os projetos desenvolvidos na Amorita, especialmente aqueles ligados à valorização dos Griots.

Meu marco acadêmico mais simbólico talvez tenha sido entre 2003 e 2004, quando cursei disciplinas isoladas na Universidade Federal de Minas Gerais: História do Trabalho nas Sociedades Pré-Industriais, Iconografia da África e Afro-América e Sociologia da Religião. Esses estudos ampliaram profundamente minha forma de compreender o mundo, a imagem, a cultura e as narrativas.

Em 2004, fui convidada pela Sarau Produções para atuar como pesquisadora e assistente de direção no espetáculo “Grande Otelo – Eta Moleque Bamba – 90 anos”, mergulhando ainda mais na potência da arte como linguagem. Também atuei como pesquisadora para o CRAP – Centro de Referência das Artes Plásticas em Minas Gerais e, posteriormente, em Belo Horizonte, como assistente de pesquisa na exposição de Márcio Sampaio – 50 anos e no Bolsa Pampulha (2010).

Minha relação com a narratologia não veio apenas da teoria, mas da prática: das pesquisas e experiências como professora de Oratória Criativa e Contação de Histórias, e também da escrita dos meus próprios livros. Foi esse percurso que, mais tarde, me levou a integrar a Comissão Mineira de Folclore, em 2012, aprofundando ainda mais meu olhar sobre mitos, cultura e tradição.

E então, em meio a tudo isso, algo me atravessou de forma definitiva.

Uma pergunta.

A pergunta de uma menina de cinco anos.

Alice não conseguiu falar em voz alta. Pediu ajuda à avó para escrever. E naquele papel estava registrado algo que eu nunca mais consegui esquecer:

"Como eu faço para não ficar triste por ser preta?"

Durante meses, guardei aquele papel. Não como lembrança — mas como um limiar.

Foi ali que algo mudou.

Compreendi que toda a minha trajetória — a docência, a pesquisa, o turismo, a cultura, o folclore — estava me preparando para escutar melhor. Para entender que a forma como narramos o mundo constrói o modo como as crianças se percebem dentro dele.

E foi por isso que voltei a escrever.

Voltei porque é na infância que o caráter começa a ser tecido.
Voltei porque as histórias que contamos podem ferir — ou podem curar.
Voltei porque nenhuma criança deveria crescer acreditando que há algo errado em ser quem é.

Hoje, entendo também a potência dos encontros.

A parceria com Cleide Cissa, professora, contadora de histórias e pessoa com deficiência visual, não é acaso — é caminho. Juntas, damos forma ao Ecossistema de projetos Distinta e Tirésias, e ao simbólico Tirésias, o gato-guia, que nos lembra diariamente que ver não é apenas enxergar.


 

Nossa jornada é sobre mediação.
Sobre reconstruir narrativas.
Sobre atravessar o mundo que temos em direção ao mundo que queremos.

E, talvez, no fundo, seja também sobre responder à Alice.

Não com uma única resposta, mas com muitas histórias — onde ela possa, finalmente, se reconhecer como alguém inteira, bonita e pertencente.

Se essas reflexões ressoam em você, talvez seja o momento de aprofundar esse olhar e transformar práticas.

📘 Módulo 1: "Como contar histórias com objetos tridimensionais"
Um convite para repensar a forma como mediamos o mundo — tornando-o mais sensível, mais acessível e, sobretudo, mais humano.

 

quinta-feira, abril 16

Quem pariu Mateus que o embale: A Reforma Tributária não aceita "pais ausentes" na Gestão Cultural por Lúcia Tânia Augusto

 Você já ouviu o ditado: "Quem pariu Mateus que o balance". No senso comum, significa assumir o pepino que você mesmo plantou. Mas você sabia que a origem é ainda mais profunda? A frase original seria "quem pariu os maus teus que balance". Ou seja: assuma os seus próprios males, seus erros de planejamento e seus defeitos de execução.
No universo da produção cultural, entre 2026 e 2032, o "Mateus" da vez é a Reforma Tributária. E se você não cuidar do planejamento agora, quem vai ter que "balançar" esse bebê chorão lá na prestação de contas é você!
Porter e o "Quarto do Bebê" (A Cadeia de Valor)
Michael Porter, em seu clássico de 1985, ensinou que para uma organização ter sucesso, ela precisa de uma Cadeia de Valor azeitada. Ele separou as atividades em:
● Atividades-fim (Primárias): O seu espetáculo, o brilho no olho, o "Mateus" lindo no palco.
● Atividades de Apoio (Suporte): O jurídico, o administrativo e a contabilidade especializada.

 

A lógica é simples: se o seu suporte (o berço) for fraco, o seu projeto (o Mateus) cai. Com a transição para o IVA Dual e as novas regras de memória de cálculo da Secult (fique de olho na Resolução 38/2024!), a contabilidade deixou de ser "o mal necessário" para ser a babá que garante a sobrevivência do seu projeto.


O "Maus Teus" da Prestação de Contas
A evolução fonética de "maus teus" para "Mateus" é uma metáfora perfeita para a gestão cultural brasileira. Muitas vezes, um "mau" planejamento tributário evolui para um "Mateus" (um problema real) na hora de prestar contas.
● A falha: Ignorar a redução de 60% nas alíquotas ou não entender como funcionam os créditos de IVA.
● A consequência: Glosa de contas e a obrigação de devolver recursos. Quem pariu esse erro vai ter que "balançar" o prejuízo sozinho.

 

 Para não ter que embalar um Mateus problemático até 2032, o segredo é o amadurecimento. Como diria Porter, sua vantagem competitiva está na profissionalização do suporte.

1. Capacite-se: Entenda a nova memória de cálculo.
2. Invista no Suporte: Tenha contadores e advogados que falem a língua da cultura e da reforma.
3. Planeje a longo prazo: O fluxo do dinheiro mudou. Não deixe para entender o imposto no dia de emitir a nota fiscal.
No final das contas, quando a gestão é bem feita, o "Mateus" cresce saudável, a prestação de contas é aprovada e você tem tempo para o que realmente importa: a arte.
E aí, como anda o seu planejamento? Você está criando um Mateus para dar orgulho ou um problema para balançar depois? ---

 


sexta-feira, abril 10

Bem-Viver: A Sabedoria ancestral que pode salvar o futuro (comece agora!) por Lúcia Tânia Augusto

 



O termo Bem-Viver (ou Buen Vivir em espanhol) tem ganhado destaque em debates sobre sustentabilidade e política, mas sua origem passa longe das tendências passageiras da cultura pop. Ele nasce da cosmovisão milenar dos povos indígenas andinos e apresenta-se, hoje, como uma alternativa decolonial e ecológica vital ao modelo de desenvolvimento ocidental.

As Raízes de uma Filosofia de Plenitude

O "berço" desse conceito está nas tradições Quéchua (Sumak Kawsay) e Aymara (Suma Qamaña). Diferente da lógica capitalista de crescimento infinito, o Bem-Viver propõe uma vida em harmonia com a natureza, o coletivo e a espiritualidade.

  • Significado Original: Frequentemente traduzido como "vida bela" ou "vida em plenitude".

  • Pachamama: O foco central é a convivência com a Mãe Terra, rompendo com o individualismo moderno.

Trajetória: Da Resistência às Constituições

O que antes era restrito às comunidades ancestrais, ganhou o mundo a partir dos anos 1990, especialmente no Peru, como uma resposta crítica às crises do modelo de desenvolvimento atual.

O movimento ganhou força jurídica sem precedentes ao ser incluído nas constituições de dois países:

  1. Equador (2008)

  2. Bolívia (2009)

Desde então, o Bem-Viver tornou-se um direito constitucional e um modelo pós-capitalista abraçado por movimentos sociais e acadêmicos globalmente.


Bem-Estar vs. Bem-Viver: Você sabe a diferença?

Muitas vezes confundimos os termos, mas eles representam visões de mundo opostas:

CaracterísticaBem-Estar (Ocidental)Bem-Viver (Indígena)
FocoAcúmulo material e individualismo     Convivência comunitária e ecológica
NaturezaRecurso para exploração e consumoSer sagrado (Mãe Terra)
RelaçãoCompetição e lucroReciprocidade e respeito

O Bem-Viver como Resposta aos Desafios Globais

Segundo a educadora Iara Bonin, o Bem-Viver não é apenas uma teoria, mas uma filosofia com reflexos concretos. Para os povos indígenas, a construção dessa plenitude exige que pensemos no coletivo.

"Construir o Bem-Viver significa que as pessoas devem pensá-lo para todos. É preciso combater as injustiças, os privilégios e os mecanismos que geram a desigualdade."

A "causa" indígena, portanto, está intrinsecamente ligada à luta dos marginalizados e aos grandes desafios ambientais contemporâneos.

A Terra como Base de Tudo

Para esses povos, a terra é sagrada e capaz de fazer germinar a vida em todo o seu esplendor. No entanto, o modelo de desenvolvimento atual a vê apenas como insumo para mercadorias de rápido descarte.

Essa lógica predatória — baseada em monoculturas, grandes barragens e exploração mineral — envenena o solo e as águas. Defender o Bem-Viver é, primordialmente, defender o direito das comunidades indígenas aos seus territórios tradicionais, condição essencial para que essa filosofia continue viva e possa orientar as nossas escolhas futuras.


Fontes consultadas:

quinta-feira, abril 9

Curso de Educação inclusiva: Como contar histórias com objetos tridimensionais

🌟 CURSO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA – MÓDULO 1 🌟
Como contar histórias com objetos tridimensionais 🧶✨
Um encontro onde o toque e a voz dão vida à imaginação!

🧾 DATA: 14/05/2026 (5ª feira)
🕗 HORÁRIO: 08h às 17h
🏬 LOCAL: E. M. Coronel José Batista

🥰 COM:
Cleide Cissa & Lúcia Tânia Augusto

👥 CONVIDADOS ESPECIAIS:
Deficientes Visuais (nossas estrelas!), monitores, bibliotecários e estudantes de Pedagogia e Psicologia.

⚠️ DETALHES:
🧐 Apenas 20 vagas
💰 Contribuição voluntária

👉🏽 INSCRIÇÕES: 📲 (31) 99697-7843

👊🏾 Produção: Débora Tersália
🫶🏾 Apoio: E. M. Coronel José Batista & Otimize Contabilidade e Gestão.

 #PraTodosVerem #EducaçãoInclusiva #DeficiênciaVisual #Acessibilidade #ContaçãoDeHistórias

A "embaixada" na cultura popular brasileira e a Retomada da Identidade: Onde estão o Mestre e a Mestra? (CBO 3331-20)

 "Na cultura popular, a Embaixada é o lugar da diplomacia sagrada, do pedido de licença e do reconhecimento da autoridade de quem veio...