Por Lúcia Tânia Augusto – Historiadora e Gestora da Epocriativa
Há séculos, a gente em Minas caminha no ritmo dos ciclos econômicos. O ouro já passou, o ferro está cumprindo sua jornada, mas Itabira guarda uma jazida que não acaba nunca e que, agora, pede passagem: a nossa riqueza humana.
Se você olha para o horizonte e se pergunta "o que fica quando o minério acaba?", a resposta não é o vazio. Fica o que sempre esteve aqui: nossa arte, nossa cultura popular, nossos mestres e uma história que pulsa em cada esquina.
Do Extrativismo à Criatividade
A mudança que vivemos é, antes de tudo, uma mudança no olhar. Se por muito tempo fomos a cidade que "retira" da terra, agora somos convidados a ser a cidade que "cultiva" de dentro para fora. É o nascimento do Ciclo da Arte.
Em Itabira, esse novo ciclo tem cor, rosto e ginga: somos uma cidade com 73,5% da população negra e parda. Essa maioria vibrante é a dona dos saberes que vão manter Itabira viva. O silêncio que às vezes sentimos não é um fim, mas aquele fôlego antes do canto. É hora de transformar currículos em identidade e portfólios em mapas de possibilidades.
A Força que Fica: Nossos Mestres e Saberes
Enquanto as máquinas silenciam, os tambores e os saberes ancestrais ganham volume. O futuro de Itabira reside na nossa capacidade de valorizar o que é essencial: o talento que nasce da alma e a sabedoria que não precisa de molduras. Acreditamos em uma educação inclusiva e acessível, que não se perde na superfície da aparência ou na venda de imagens prontas, mas que mergulha na profundidade do saber fazer. É o reconhecimento de que cada pessoa, com suas diferentes formas de perceber e estar no mundo, contribui para a nossa riqueza coletiva através de:
Memória Viva e Plural: O resgate das narrativas dos nossos artistas negros e das trajetórias de pessoas com deficiência vai muito além do registro; é o alicerce para novos modelos de turismo e negócios onde a acessibilidade é a regra, e o talento, o protagonista.
Educação pelo Afeto e Inclusão: Nossos mestres e artesãos são os verdadeiros engenheiros desta era. Eles constroem pontes que todos podem atravessar, ensinando que o conhecimento se transmite pelo toque, pela escuta e pelo coração, garantindo que ninguém fique de fora dessa troca entre gerações.
Patrimônio Humano e Diversidade: Nossas irmandades e grupos de congado são os pilares de uma economia criativa que se fortalece na diversidade. É um sistema que não se exaure porque é baseado no valor humano real e no respeito às singularidades de cada mestre e aprendiz.
Um Convite ao Presente
A Epocriativa nasce para ser o solo onde essas sementes podem brotar. Quando você envia seu portfólio ou currículo, não está apenas preenchendo dados; está entregando uma ferramenta para construir esse novo tempo.
Queremos mostrar ao mundo que, se a mineração moldou nossas montanhas, é a arte negra e a cultura popular que moldam nossa alma.
O Amanhã já Começou
Falar de uma "Itabira Pós-Minério" não precisa dar medo. Pode ser uma festa para celebrar nossa potência! Convidamos cada artista, mestre de saber e agente cultural a dar esse passo com a gente.
O que sobra quando o minério acaba? Sobra o melhor de nós. Sobra a capacidade de reinventar a vida através da beleza e do fazer coletivo. Vamos juntos escrever esse capítulo?
Projeto Pertencimento Mapeamento da Economia Criativa Afro-Itabirana – Fortalecendo Nossa Identidade.
👉 Participe e responda pelo link: https://forms.gle/QszkFuSWDCQUQ8dp8
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