sexta-feira, março 29

A fascinante trajetória do Empreendedorismo Estrutural das mulheres de Sabará: dos ofícios das Quitandeiras e Negras de Tabuleiro até os Festivais de Gastronomia - Jabuticaba, Orapronobis e Banana - Parte 1 "A origem"


Podemos concordar que Sabará é uma galeria ao céu aberto tamanha é a beleza de seu conjunto de bens tombados e por isso já reconhecidos pelo IPHAN, mas neste período da Quaresma vamos falar do feminino inquestionável que, anualmente, movimenta a cidade com seus festivais gastronômicos. 
Quando criamos o NEHCCAO- Núcleo de Estudos Histórico-Culturais/ Ofícios a tarefa ficou um pouco mais delicada porque além de compreender os ofícios masculinos, por meio de Aleijadinho, também deveríamos resgatar a imagem da sua mãe, sua face Africana. 

Fascinante como as mulheres Sabarenses são especialialistas em consolidar costumes ancestrais de forma consistente a ponto de alguns deles se transformarem em Patrimônio Imaterial e fonte de renda não só para a individualidade, mas toda cidade e região.
Os resultados atingidos são o nosso foco pois explica a veia empreendedora da mulher Sabarense, herdada das avós, mães, tradicionais supridoras de afeto e alimentos que tornam mais apetitosa a história de nosso Estado.
Arrisco, neste artigo, dar o nome de Herança Cultural e, pela extensão do assunto escreveremos este artigo em duas partes. 
A primeira tratará da ocupação do território das Minas Gerais do Período Colonial com a presença das Negras de Tabuleiro e/ Quitandeiras, buscando a herança deixada por elas na vida comercial de Sabará com seus restaurantes, feiras, criação de produtos e serviços.
Na segunda parte, o turismo e a movimentação do setor gastronômico na cidade e distritos: Pompéu, Ravena.
Como compreender porque os três festivais gastronômicos da cidade foram criados e são liderados pelas tão bem comportadas mulheres Sabarenses? Vamos voltar um pouco na história? 
Segundo historiadores, (você pode conferir parte da lista no final deste artigo) antes mesmo da chegada dos europeus e da  captura de africanos para servirem de mão de obra escrava, havia um intenso comércio liderado por mulheres dentro da África e que não eram responsáveis só pelo provimento de produtos para o comércio local, elas também eram responsáveis pela comunicação entre lugares como lideranças empreendedoras.
No texto "Conexões e identidades de gênero no caso Brasil e Angola , Sécs. XVIII-XIX" de
Selma Pantoja
temos a pesquisa da história de Angola, que aborda as "relações de
gênero" do Atlântico Africano e as necessidades do pequeno
comércio ou do trabalho agrícola, para o suprimento de produtos de primeira necessidade, observando as pequenas comerciantes das cidades ( as quitandeiras),
para as donas de terras com o cultivo de alimentos básicos ( as donas de arimos), 
 (...) mulheres livres e escravas."
 Deste ponto de vista, a experiência
vivida por mulheres brancas e negras no quadro da expansão marítima portuguesa, identifica como "mecanismos de
implantação dos Impérios europeus" integrado com a atuação das quitandeiras e suas habilidades comerciais pré-existentes. Práticas ancestrais dentro do imenso território do Continente Africano.

Para consolidação e funcionamento de centros urbanos como Sabará,  desde a descoberta,  havia necessidade do plantio de pequenas lavouras e formas de circulação de serviços e alimentos. 
Estes ofícios, em versão moderna, identificam as empreendedoras desde então, produtoras e comerciantes. Observados os ofícios da cadeia produtiva como um todo: plantio de hortas domésticas, cultivo, colheita, processamento, embalagens, logística de entrega e vendas nos centros urbanos e regiões. Sem proteção institucional, na base do preconceito, apagamento  e exclusão, inclusive dos livros tradicionais de história do ensino formal. 
Aprofundando em Minas do período colonial teremos as Negras de Tabuleiro.
Neste verbete do "Dicionário Histórico das Minas Gerais-Período Colonial" organizado por Adriana Romeiro e Ângela Viana Botelho, define-se assim: 
"Vendedoras ambulantes que percorriam as ruas dos arraiais, das vilas e cidades da América Portuguesa, como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, comercializando mercadorias as mais diversas, como pastéis, doces, mel, leite, frutas, aguardente etc. Constituíam uma categoria profissional urbana, existindo negras de tabuleiro escravas, crioulas e africanas, libertas e livres, pretas, mulatas e brancas." Liana Maria Reis, páginas 211 e 212. Editora Autêntica: Belo Horizonte. 2004.



Busque o tema em outros autores como: Eduardo França Paiva, Emmanuel Araújo, Luciano Raposo de A. Figueiredo, Laura de Mello Souza e, para este texto: Liana Maria Reis em "Mulheres de ouro: as negras de tabuleiro nas Minas Gerais do século XVIII."
Selma Pantoja: https://www.escavador.com/sobre/1223841/selma-alves-pantoja
Por Lucia Tania Augusto

quinta-feira, agosto 12

Gestão financeira : O impacto da bondade na planilha de projetos sociais

Todos sabemos que as pessoas boas são mais felizes. Por causa delas, todos os dias, milhões de projetos ficam de pé. Mas, ao elaborar as planilhas de projetos sociais, esta solidariedade se explicita em números. Percebo o impacto direto do trabalho dos líderes comunitários e de voluntários que doam tempo e trabalho, principalmente, na pré-produção, pós-produção e conservação do tecido social mobilizado/organizado. Não há números exatos, mas vejo que pelo menos, 30% do valor do total que uma entidade necessitaria para garantir a sustentação dos programas de atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, tem origem nesta fonte.Estamos falando de reconhimento de impostos com pessoal e circulação de produtos.
De acordo com Kant, embora essas ações sejam condicionais, o sujeito, que tem fim em si mesmo, é produto delas e não um simples meio para alcançá-las. Isto é, os seres humanos são o fim de todas as ações. Mas o valor das ações também é condicional. Consequentemente, Kant fundamenta que ser fim em si mesmo é, ao mesmo tempo, um dever e um princípio prático supremo, não meramente subjetivo, da vontade humana. (FMC, AK428). Deste modo, para o filósofo, o imperativo prático das leis da vontade seria: “age de tal maneira que tomes a humanidade, tanto em tua pessoa, quanto na pessoa de qualquer outro, sempre ao mesmo tempo como fim, nunca meramente como meio”. (FMC, AK429, p. 243).***
Até 2010, quando ainda trabalhava como produtora cultural, estes 30% eram para o Plano de Mídia e Marketing. Hoje, temos profissionais que conseguem fazer o mesmo trabalho com o custo muito menor e, detalhe, com mais amor pelo que fazem. Tantas ferramentas foram criadas para facilitar a criação de peças, divulgação e engajamento... Com a internet essa realidade mudou. Temos acesso a estratégias que podem economizar e nos dar condições de investirmos no humano, em infra-estrutura, pesquisa e desenvolvimento humano. Mas, sabemos também que as plataformas digitais foram criadas para a geração de dados numéricos e não dados relacionados à generosidade. Tive o prazer de trabalhar como consultora técnica da equipe do Atlas de Desenvolvimento Humano, de 2013, pela Fundação João Pinheiro. Lidar com os indicadores me ensinou muito sobre em quais parâmetros devemos focar: longevidade, educação e renda. Em que isto importa? Na forma como tratamos os dados que oferecem "(...)um panorama do desenvolvimento humano dos municípios e a desigualdade entre eles em vários aspectos do bem-estar."** Portanto, quando gerenciamos o financeiro devemos observar: - a ausência dos recolhimentos de impostos que fazem toda diferença: as lideranças comunitárias e os voluntários que atuam para colocar o trabalho de pé (elaboração, implantação e lançamento), na folha de pessoal e insumos. Em um projeto de R$ 600.000,00 configura-se mais de quase R$180.000,00 sem que sequer as pessoas se deem conta disso. - quando a frequência do voluntariado e trabalho sem remuneração dos líderes continua na pós-produção e mantendo a entidade viva, não há como calcular, pois dai não há olhos para medir esforços, tempo e, principalmente, amor. Gratidão profunda a estes anjos, com certeza, invisíveis. Caro leitor, este artigo é uma provocação, assim sendo, considere que pode concordar, discordar e se colocar. Estamos em país livre e assim espero que continue, com a nossa atenção e atitude. **https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/atlas-do-desenvolvimento-humano-no-brasil-2013/ ***Empatia & solidariedade [recurso eletrônico] / org. Cesar Augusto Erthal,
Marcelo Fabri, Paulo César Nodari. – Caxias do Sul, RS: Educs, 2019. Dados eletrônicos (1 arquivo).

Curso: Receptivo Afroturismo Mineiro

"Ao participar do curso sob a perspectiva do Afroturismo em cidades mineradoras como Itabira é espreitar um exercício que chamo de...