Quando um professor ou mediador planeja suas aulas de contação de histórias com o olhar voltado para acolher crianças com deficiência visual, algo profundo muda na estrutura da escola. Existe um princípio fundamental na pedagogia contemporânea que nos ensina muito: quando a educação se torna melhor e mais acessível para poucos, ela inevitavelmente se transforma em uma educação infinitamente melhor para todos.
Não se trata de isolar ou criar um planejamento paralelo, mas sim de expandir os canais de comunicação e sensibilidade para que ninguém fique de fora.
Essa premissa encontra eco no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), conceito derivado da arquitetura que migrou para a educação na década de 1990. A lógica é simples e transformadora: o que é essencial para garantir o acesso de um aluno com deficiência visual acaba se tornando um estímulo lúdico, dinâmico e extremamente benéfico para o aprendizado de toda a turma.
Ao desenhar estratégias inclusivas para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I, o educador amplia sua própria visão sobre o significado da educação, rompendo com o modelo de ensino homogêneo e excludente.
O Encontro entre a BNCC, as Narrativas e as Artes Integradas
Alavanque Suas Competências Pedagógicas: O Segredo da BNCC e da Música na Educação Inclusiva — Garanta Sua Vaga! ☺☝❤👋
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A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nos mostra que trabalhar com narrativas no componente de Língua Portuguesa vai muito além de decodificar palavras.
Quando unimos as narrativas às Artes Integradas, rompemos as barreiras tradicionais entre as linguagens artísticas (música, teatro, dança e artes visuais). Sob o teto das Artes Integradas, ativamos dimensões fundamentais do conhecimento:
Criação e Expressão: Onde as ideias e sentimentos ganham forma de maneira inventiva, misturando diferentes meios artísticos.
Fruição e Estesia: O desenvolvimento da sensibilidade, da imaginação e da percepção sensorial — algo vital no contexto da deficiência visual, onde o som, o toque e o relevo constroem mundos inteiros.
Crítica e Reflexão: O momento em que as crianças analisam, investigam e emitem juízos sobre o que experimentaram e sobre as produções de sua cultura.
O Povo Brasileiro: Identidade, Ciência e Som
O povo brasileiro é essencialmente musical, tem a base da sua sabedoria na oralidade.
Trazer o folclore e a música para a contação de histórias é aproximar a oralidade e a ludicidade da identidade dos alunos, tocando em conceitos profundos de alteridade (o reconhecimento do outro) e pertencimento.
Essa conexão também abre portas para o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento, promovendo uma valiosa interdisciplinaridade entre a música e a ciência. Um excelente norteador para o professor que deseja explorar a curiosidade natural dos pequenos é a coleção "Vamos explorar ciências", especificamente o volume "Som & música" (de David Evans e Claudette Williams, Editora Ática). Essa obra nos lembra que o papel do mediador é incentivar a exploração ativa, estimulando as crianças a usarem todos os sentidos para fazer descobertas sobre o mundo físico, investigando como o som se propaga, como os ritmos se formam e como o próprio corpo reage às vibrações sonoras.
Vem Aí: Módulo 2 – Como Contar Histórias Cantando
INTERAÇÃO-MEMORIZAÇÃO-EXPRESSIVIDADE
Se você quer ver essa teoria pulsar na prática e qualificar ainda mais sua oratória pedagógica, prepare-se para o nosso próximo encontro formativo. No Módulo 2: "Como contar histórias cantando", vamos mergulhar fundo nas raízes míticas do nosso folclore e desvendar o poder dos símbolos nas ricas narrativas dos congadeiros mineiros.
Ampliamos o nosso arco de experiências e preparamos um sábado letivo inesquecível, repleto de trocas, saberes e ferramentas práticas de planejamento, execução e avaliação.
Anote na Agenda:
Data: 22 de agosto de 2026 (Sábado)
Horário: Das 08h às 17h
Local: Escola Municipal Coronel José Batista
Participações e Parcerias Especiais
Para enriquecer o nosso dia, contaremos com a presença iluminada do Coletivo "Cantos de Congo" e com o Ponto de Cultura Clube de Mães Santa Ruth, que estará presente com uma linda Barraca de Produtos Inclusivos das Epocriativas.
Facilitação e Vivência Real
Nesta edição, a condução do curso ganha uma força coletiva muito especial. Teremos quatro facilitadoras liderando os trabalhos, sendo três delas mulheres e educadoras com deficiência visual, trazendo a riqueza de suas próprias trajetórias e saberes pedagógicos e sensoriais:
Thayná (Educadora)
Cleide Cissa (Contadora de histórias e mediadora cultural)
Cassiana (Educadora)
Lúcia Tânia Augusto (Criadora do projeto e proprietária da Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura)
Venha descobrir como transformar sua prática pedagógica em um espaço onde a sensibilidade, a ciência, a música e a literatura se encontram para garantir que o direito de aprender seja, de fato, de todos. Esperamos você!
Onde pesquisar mais
AGÊNCIA EUROPEIA PARA AS NECESSIDADES ESPECIAIS E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA. Cinco Mensagens-Chave para a Educação Inclusiva. Odense, Dinamarca: European Agency for Special Needs and Inclusive Education, 2014. (Documento que fundamenta o impacto social e pedagógico da inclusão na melhoria dos sistemas de ensino globais).
CAST (Center for Applied Special Technology). Universal Design for Learning Guidelines version 2.2. Wakefield, MA, 2018. (Apresenta as diretrizes do Desenho Universal para a Aprendizagem, demonstrando como a diversificação de linguagens beneficia o cérebro de qualquer estudante).
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Espanha, 1994. (O grande marco político internacional que estabeleceu a escola inclusiva como o meio mais eficaz para combater a discriminação e qualificar o ensino).
EVANS, David; WILLIAMS, Claudette. Coleção "Vamos explorar ciências" - Volume "Som & música". São Paulo: Editora Ática, 1993 (by Dorling Kindersley Limited, London). (Livro do professor focado em guiar a exploração sensorial e científica na infância).
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão Escolar: O que é? Por que é? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003. (Obra nacional de referência sobre como a reorganização da escola para atender à diferença qualifica e enriquece a educação para a totalidade dos alunos).



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