sexta-feira, maio 15

Capacitação: Epocriativa cumpre parceria em jornada disruptiva, em Itabira, Curso de Educação Inclusiva- Módulo 1 "Como contar histórias com objetos tridimensionais"

Nada sobre nós, sem nós! Um novo capítulo na Educação Inclusiva da Coronel José Batista!

Provocadas a praticar atitudes disruptivas ao conviver com 3 participantes que protagonizaram orientações, avaliações e disponibilidade, Cleide Cissa, Cassiana e Thayná que são pessoas com deficiência visual, as participantes revisaram crenças sobre o ato de contar histórias com foco  na busca de desenvolver consciência para o valor da transformaçãoda prática pedagógica, refletindo sobre as limitaçõesde materiais bidimensionais. ​No último último dia 14 de maio de 2026, quinta-feira, das 8h às 17h, vivemos um momento histórico e emocionante na nossa amada escola Coronel José Batista. Destaque para o reencontro de Cleide Cissa, Cassiana e Thayná que tornaram real práticas de Contação de Histórias, dramatizações e dinâmicas.



No Módulo 1 do nosso curso de Educação Inclusiva, reafirmamos que o caminho para uma educação de qualidade para todos não é a adaptação, mas a criação.

​Inspirados no princípio fundamental "Nada sobre nós, sem nós!", mergulhamos em uma jornada imersiva para repensar e recriar as práticas pedagógicas. Foi um dia de muita troca, reflexão e, acima de tudo, de muita inspiração.

terça-feira, maio 5

🌟 11 Benefícios de Dominar a Narrativa com Objetos Tridimensionais

 


 

🌟 11 Benefícios de Dominar a Narrativa com Objetos Tridimensionais

Quando a história encontra o tato, o som e o cheiro, o aprendizado ganha corpo. Esta metodologia transforma a sala de aula em um espaço de experiência viva.

1. Estímulo à Neuroplasticidade

O cérebro cria novas pontes neurais. Ao narrar a história de um pássaro usando uma pena real, sons de assovio e o cheiro de mato, o aluno conecta tato, audição, olfato e memória. É o mesmo princípio que o cérebro de uma pessoa com deficiência visual usa para se reorganizar.

2. Objetos Tridimensionais: A Matéria do Pensamento

Diferente de uma imagem no papel (bidimensional), o objeto tridimensional possui altura, largura e profundidade. Ele oferece "vários lados" para o conhecimento. Ao tocar um objeto, a criança processa peso, temperatura e volume, transformando a informação passiva em uma exploração ativa que ocupa o espaço real.

3. Sólidos Geométricos: O Alfabeto das Formas

Tudo no mundo físico possui uma base geométrica. Ao utilizar sólidos como suporte, ensinamos a estrutura das coisas: uma laranja é uma esfera; uma caixa de fósforos é um paralelepípedo. Isso organiza o raciocínio lógico e a percepção espacial.

4. Estilos de Narrativa: Do Oral ao Sensorial

A forma como contamos define como o aluno recebe. Nesta metodologia, trabalhamos com dois estilos principais:

  • Narrativa Oral (Griot): Baseada na repetição, no ritmo e na força da palavra falada para manter a memória viva.

  • Narrativa Dramatizada: Onde o objeto não é apenas citado, mas "atua" na história, ganhando movimentos e intenções.

5. O Estilo Literário: Realismo Animista

Essa técnica flerta com o Realismo Animista, onde objetos comuns ganham "vida" e voz. Uma pedra pode representar a dureza de um coração ou o peso de uma saudade, servindo como metáforas potentes para sentimentos universais.

6. Desenvolvimento da Abstração e Contraste

Saímos da dependência de slides. Para ensinar "amizade", usamos dois pedaços de velcro: o aluno sente a força de unir e a resistência de separar. Contrastes entre o vazio e o cheio ensinam mais sobre "ausência" do que qualquer definição teórica.

7. Inclusão Genuína e Universal

O que é essencial para uma pessoa com deficiência visual — descrever, tocar e sequenciar — vira um jogo rico para a turma toda. Ao vendar os alunos, todos são desafiados a usar a imaginação.

8. Foco e Escuta Ativa

Sem o excesso de estímulos visuais, a atenção se volta para a voz e para a textura do objeto. O foco nasce do mistério sonoro e da curiosidade tátil.

9. Memória Espacial e Sequencial

Objetos ajudam a "ancorar" a história no espaço. Ao tocar diferentes texturas durante a narração, o aluno associa o estímulo sensorial à ordem dos fatos, facilitando a memorização da sequência lógica.

10. Diferencial Didático do Educador

Você deixa de ser um "passador de conteúdos" para se tornar um arquiteto de experiências. A aula vira uma vivência compartilhada que utiliza o corpo e os sentidos como ferramentas de alfabetização.

11. Engajamento Emocional Profundo

O toque cria vínculo. Na história de uma semente, segurar um saquinho com terra úmida gera uma memória afetiva duradoura. O aprendizado passa pelas mãos e se fixa pela emoção.


🧠 Neuroplasticidade: O que o cérebro aprende com as mãos

A neuroplasticidade permite que o cérebro se reorganize através de novos estímulos. Quando usamos formas geométricas, cheiros e sons, áreas do córtex que processariam apenas a visão passam a integrar tato, audição e memória espacial. Ensinar com os sentidos é expandir as rotas do conhecimento.

Por Lúcia Tânia Augusto Gestora de Projetos Culturais


📖 Glossário de Termos-Chave

  • Pessoa com Deficiência Visual: Termo inclusivo que prioriza a pessoa antes de sua condição sensorial (cegueira ou baixa visão).

  • Objeto Tridimensional: Objeto que possui volume e pode ser explorado em três dimensões: comprimento, largura e altura.

  • Estilos de Narrativa: Diferentes formas de organizar e expressar uma história (ex: oral, escrita, visual, sensorial).

  • Sólidos Geométricos: Figuras espaciais como cubos, esferas e cilindros que servem de modelo para os objetos do mundo.

  • Realismo Animista: Técnica narrativa de atribuir características humanas ou "alma" a objetos inanimados.

  • Abstração: Capacidade de criar conceitos mentais a partir de experiências concretas.

  • Griot: Mestre da palavra na cultura africana, responsável por transmitir saberes e histórias através da oralidade.

  • Neuroplasticidade: Propriedade do cérebro de se moldar e criar novas conexões a partir de aprendizados práticos.

segunda-feira, maio 4

Parceria Estratégica com o Ponto de Cultura Clube de Mães Santa Ruth, em Itabira-MG: Valorização da Economia Criativa

 

"A parceria estratégica entre a Epocriativa e o Ponto de Cultura Clube de Mães Santa Ruth, em Itabira-MG, consolida o protagonismo da economia criativa local ao integrar o saber artesanal de mulheres itabiranas à metodologia do Curso de Educação Inclusiva - Módulo 1: 'Como contar histórias com objetos tridimensionais', transformando recursos de acessibilidade em ferramentas de desenvolvimento social e sustentável."




Em nossa jornada para transformar a economia através da cultura, acreditamos que a arte não deve apenas ser contemplada, mas tocada, sentida e compartilhada. É com esse propósito que apresentamos o Curso de Educação Inclusiva – Módulo I: Como contar histórias com objetos tridimensionais.

 

Mais do que uma formação técnica, este curso é um convite para profissionais da educação, estudantes e comunidade repensarem a acessibilidade. Através do uso de objetos que ganham vida nas mãos, mostramos que a literatura pode — e deve — ser um território de todos.

Protagonismo Feminino 50+




 

A condução deste módulo está nas mãos de duas mulheres 50+, negras,  com trajetórias marcantes e vasta experiência nas áreas de educação, cultura e inclusão:

#PraTodosVerem A imagem mostra as instrutoras Cleide Cissa e Lúcia Tânia Augusto, duas mulheres negras e grisalhas, sorridentes, manipulando objetos tridimensionais coloridos e texturizados sobre uma mesa. Ao lado, Adriana Almada apresenta uma peça artesanal em fase de protótipo.
#PraTodosVerem A imagem mostra as instrutoras Cleide Cissa e Lúcia Tânia Augusto, duas mulheres negras 

A Força de Itabira: Epocriativa e Expocriativas




 

O que torna este projeto ainda mais especial é a nossa rede de colaboração. Para a Epocriativa, a sustentabilidade só faz sentido quando fortalece a nossa gente. Por isso, caminhamos ao lado de Adriana Almada, artesã e liderança que transformou a realidade da sua comunidade.

Sob a gestão de Adriana, o Clube de Mães Santa Ruth alcançou uma de suas maiores vitórias: a certificação oficial como Ponto de Cultura, ativa desde abril de 2024. Este selo potencializa o projeto Expocriativas, que hoje é o braço de produção artesanal e inovação que dá suporte às nossas atividades pedagógicas.

Da Pesquisa à Rede de Produção Inclusiva

 Neste módulo, Adriana Almada apresentará criações exclusivas em fase de pesquisa e desenvolvimento. Estes protótipos servirão de guia para a próxima etapa do projeto, onde outras artesãs locais serão integradas e contratadas para a confecção das peças definitivas, garantindo que o conhecimento e a renda circulem entre as mulheres da nossa região.

Ao integrarmos o Ponto de Cultura Clube de Mães Santa Ruth, reafirmamos nosso compromisso com a transição para uma economia mais humana e menos extrativista: o Ciclo da Arte.


CRÉDITOS E PARCERIAS:

  • REALIZAÇÃO: Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura

  • PRODUÇÃO: Débora Tersália

  • APOIO: E. M. Coronel José Batista & Otimize Contabilidade e Gestão

#EducaçãoInclusiva #DeficiênciaVisual #Acessibilidade #NadaSobreNósSemNós #ContaçãoDeHistórias #ProtagonismoFeminino #CulturaInclusiva #Itabira #EconomiaCriativa

O Protagonismo Feminino e o Lema "Nada Sobre Nós, Sem Nós" na Educação Inclusiva

 



Na sociedade contemporânea, o debate sobre Educação Inclusiva e acessibilidade não pode ser dissociado do protagonismo feminino. Estudos recentes da Deficiência, liderados por militantes feministas, revelam uma camada profunda dessa realidade: a autonomia total é, muitas vezes, uma ilusão, pois a interdependência é inerente ao ser humano.

Seja na infância, na velhice ou em condições de deficiência grave, todos dependemos de uma rede de apoio — rede esta que, historicamente, é composta e sustentada por mulheres. No entanto, as teorias feministas vão além do cuidado; elas desconstroem o tabu da deficiência ao argumentar que a vulnerabilidade é universal, evidenciando as desigualdades de gênero no modelo social de cuidado.

⚠️ AVISO IMPORTANTE: Caso tenha interesse em contratar o nosso curso entre em contato: 

(31) 99697.7843 ou pelo e-mail lucia.tania.augusto@gmail.com
 

"Nada sobre nós, sem nós": Um Marco de Participação Plena

Nesse cenário de luta, surge o lema que resume a essência da inclusão: "Nada sobre nós, sem nós". Muito mais que uma frase de efeito, este é um marco histórico que fundamenta o direito à participação:

  • A Origem: A semente foi plantada nos anos 60, mas em 1981 (Ano Internacional das Pessoas Deficientes) o conceito de "Participação Plena e Igualdade" ganhou o mundo.

  • O Protagonismo: O lema ganhou força definitiva na África do Sul (1986), quando líderes com deficiência exigiram seus espaços de fala, recusando decisões tomadas por terceiros sem sua consulta.

  • Na Prática: Significa que nenhuma estratégia, lei ou atividade deve ser planejada sem que as pessoas com deficiência estejam no centro das decisões.

Arte, Cultura e Legislação

A cultura é um direito garantido pela CF/88 e reforçado pela LBI (2015). Quando um espaço cultural ou educacional falha na acessibilidade, ele fere a cidadania. A arte, porém, atua como reabilitação e reinvenção. Leis como a Lei Berenice Piana (Autismo) e a instituição do Cordão de Girassol (Deficiências Ocultas) são vitórias desse protagonismo que busca a fruição plena da diversidade brasileira.

Conforme aponta Boaventura de Souza Santos, temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza, e diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. É sob este prisma que a Educação Inclusiva se fortalece.


Um Convite ao Resgate e à Mudança


 

Precisamos encarar uma verdade desconfortável, mas necessária: se hoje debatemos e lutamos por uma Educação Inclusiva, é porque, historicamente, houve (e ainda há) um processo sistemático de exclusão.

A marginalização de corpos e mentes que fogem do padrão normativo deixou feridas que o tempo, por si só, não cura. No entanto, é através do resgate da nossa história e do reconhecimento desses silenciamentos que podemos construir novas narrativas. A exclusão que ainda persiste em nossas barreiras físicas, atitudinais e pedagógicas só pode ser superada quando trazemos para o centro quem sempre foi deixado à margem. Educar de forma inclusiva é, acima de tudo, um ato político de reparação e esperança.


💡 Serviço: Curso de Educação Inclusiva - Módulo I

Como contar histórias com objetos tridimensionais

Neste módulo, mergulhamos no universo dos objetos tridimensionais para dar vida à imaginação através do tato e da voz, unindo técnica, sensibilidade e o protagonismo de quem vive a inclusão na prática.


 

Instrutoras Mulheres 50+:

  • Cleide Cissa: Contadora de Histórias, Professora e Deficiente Visual.

  • Lúcia Tânia Augusto:Especialista em Políticas em Políticas Públicas, Professora e Proprietária da Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura.


REALIZAÇÃO: Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura PRODUÇÃO: Débora Tersália APOIO: E. M. Coronel José Batista & Otimize Contabilidade e Gestão.

#PraTodosVerem #EducaçãoInclusiva #DeficiênciaVisual #Acessibilidade #NadaSobreNósSemNós #ContaçãoDeHistórias #ProtagonismoFeminino #CulturaInclusiva

quinta-feira, abril 30

A "embaixada" na cultura popular brasileira e a Retomada da Identidade: Onde estão o Mestre e a Mestra? (CBO 3331-20)

 "Na cultura popular, a Embaixada é o lugar da diplomacia sagrada, do pedido de licença e do reconhecimento da autoridade de quem veio antes. É o gesto de "baixar a cabeça" não como submissão, mas como a maior prova de sabedoria: a humildade necessária para ser o porta-voz de algo muito maior."


O cenário cultural brasileiro atravessa um amadurecimento institucional decisivo. Em 6 de fevereiro de 2026, com a oficialização da ocupação de Mestres e Mestras das Culturas Populares e Tradicionais (CBO 3331-20), o Ministério da Cultura (MinC) passou a reconhecer formalmente o valor dos detentores de saberes orais.

No entanto, essa mudança lógica exige enfrentar um obstáculo persistente: os comportamentos e linguagens discriminatórias que ainda operam nas raízes do imaginário popular. O Afroturismo surge aqui como uma dinâmica de rastreamento da nossa identidade, instigando a pergunta essencial: "Cadê o Mestre e a Mestra que estavam aqui?"

Essa busca redireciona o olhar para territórios nunca antes previstos pelo turismo tradicional de matriz europeia. Enquanto o modelo clássico foca em monumentos estáticos, o Afroturismo mapeia a geografia dos afetos e da resistência: quintais, terreiros, cozinhas de lenha e rodas de reinados. É uma cartografia onde o destino é o encontro com a história viva.

Humildade e "Baixar a Cabeça": Pedagogia do Coração
"Baixar a cabeça" diante dos mestres e mestras não é submissão covarde, mas reconhecimento de autoridade, sabedoria e ancestralidade.

Na tradição popular, a Embaixada é o espaço do diálogo e do respeito. Ser "Embaixadora" ou "Embaixador" de uma cultura exige a capacidade de ser humilde: é saber baixar a cabeça diante dos Mestres e das Mestras para receber a bênção e o conhecimento. Só através desse gesto de reverência é que conseguimos acessar a oralidade sagrada e, assim, alcançar o coração da nossa sociedade.

No Curso de Educação Inclusiva (Módulo 1), a técnica de contar histórias com objetos tridimensionais e o uso do caderno de texturas potencializam essa voz. São ferramentas que transformam o saber falado e o rito em experiência tátil e sensorial, garantindo que a memória dos nossos guardiões alcance a todos, incluindo pessoas com deficiência visual.

Ao transformar o rastro oral em algo palpável e acessível, a Epocriativa, sob a gestão de Lúcia Tânia Augusto, cria pontes que resgatam lideranças silenciadas, unindo a tradição à inovação de um mercado que busca verdade e profundidade.

O lema "Nada sobre nós, sem nós" em solução corporativa. Hoje, a Epocriativa atua na consultoria estratégica, em Itabira, mapeando onde está a veia criativa dos afrodescendentes no território criativo. Quer demonstrar isso para empresas e instituições que desejam se adequar às novas agendas de Afroturismo, inclusão e patrimônio imaterial.

Nossa consultoria foca em três pilares fundamentais:

  • Adequação Normativa e Rito: Orientação sobre o novo CBO e a importância do protocolo de respeito aos saberes tradicionais em projetos culturais.

  • Mapeamento de Identidade Territorial: Identificação de territórios culturais invisibilizados pela lógica eurocêntrica, promovendo um turismo de base comunitária e ancestral.

  • Inovação Inclusiva e Sensorial: Desenvolvimento de metodologias (como objetos tridimensionais) que elevam o padrão de acessibilidade, permitindo que a oralidade seja sentida e compreendida por todos os públicos.

Ao unir o reconhecimento oficial do Estado à humildade de quem sabe ouvir os antigos, a Epocriativa constrói uma cultura onde a inclusão e a ancestralidade são as bússolas para o futuro.


⚠️ COMUNICADO: Informamos que as vagas para o Módulo 1: "Como contar histórias com objetos tridimensionais" estão ESGOTADAS.

Interessado em aprender a "pedir licença" e adequar seu projeto às diretrizes de afroturismo e acessibilidade? Entre em contato para consultorias personalizadas.

REALIZAÇÃO: Epocriativa - Escritório de Projetos de Arte e Cultura

LIDERANÇA E CONSULTORIA: Lúcia Tânia Augusto

PRODUÇÃO: Débora Tersália

APOIO: E. M. Coronel José Batista & Otimize Contabilidade e Gestão.

terça-feira, abril 28

O Despertar da Palavra: Arte, Inclusão e o Poder de "Fazer Levantar" - Contação de Histórias e Acessibilidade

Contar histórias é uma das artes mais humanas que existem. Como nos ensina a tradição náuatle, o narrador é o tlaquetzqui: "aquele que, ao falar, faz as coisas se levantarem". Na jornada da educação, esse "levantar" ganha um sentido profundo de dignidade quando alcançamos todas as crianças, sem exceção. É nesse encontro entre a ancestralidade dos Griots africanos e a urgência da acessibilidade contemporânea que se consolida o trabalho da Epocriativa.


 

Desde 2025, desenvolvemos o Ecossistema "Distinta e Tirésias, o seu gato-guia", uma iniciativa que materializa a inclusão por meio de três ações formativas complementares:

  1. Curso de Educação Inclusiva: 40 horas de imersão divididas em 4 módulos.

  2. Videocast "Imagem não é tudo": Série de 5 episódios que exploram a percepção além da visão.

  3. Livro em Braille com Kit Pedagógico Inclusivo: Obra tátil acompanhada de material de apoio.

O ápice deste ciclo ocorrerá no dia 13 de dezembro, uma data de imenso valor simbólico: o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual. Instituída em 1961, a data coroa  um ato de afirmação de direitos e visibilidade.


A Escola como Território de Democratização e Política Pública

Acreditamos que a educação, a arte e a cultura são fios de uma mesma trama. Por isso, a importância de produtores culturais ocuparem as escolas é vital. Quando um projeto cultural entra no ambiente escolar, ele constrói uma política pública articulada, transformando a sala de aula em um território de democratização.

  • Descentralização e Equidade: A cultura sai dos eixos tradicionais e chega à comunidade, garantindo que alunos com deficiência na rede pública acessem ferramentas de vanguarda.

  • Sinergia Institucional: A intersetorialidade entre as pastas de Cultura e Educação fortalece a sustentabilidade dos projetos e responde a desafios reais do cotidiano pedagógico.

  • Formação do Cidadão: Para a criança deficiente, acessar uma contação de histórias pensada para ela — com objetos táteis e estímulos sensoriais — é um ato de reconhecimento de sua cidadania.


Alinhamento com a Legislação e a IN 29/2026

Este movimento está em total sintonia com a modernização das regras de fomento à cultura. A Instrução Normativa MinC nº 29, de 29 de janeiro de 2026, que rege a Lei Rouanet, reafirma que a cultura deve gerar impacto social, profissionalização e acessibilidade.

A nova regulamentação permite que projetos de formação continuada — como oficinas, workshops e a produção de conteúdos audiovisuais acessíveis — sejam inseridos nas metas de democratização do acesso. Ao capacitar professores e utilizar objetos tridimensionais, o produtor cultural atua como um agente de modernização, transformando a inclusão de um conceito abstrato em uma prática viva e pulsante.

Ao unir o rigor técnico da IN 29/2026 com a sensibilidade ancestral da narração oral, criamos um ambiente onde a arte é utilizada como motor de transformação social. Que em cada escola, as histórias continuem fazendo a vida e a esperança "se levantarem".


Fontes Consultadas:

  • Curso de Educação Inclusiva: Como contar histórias com objetos tridimensionais, com Cleide Cissa e Lúcia Tânia Augusto.

  • Instrução Normativa MinC nº 29 de 29 de janeiro de 2026 (Lei Rouanet).

  • Curso "Contação de histórias para iniciantes", Andrés Montero (Domestika).

  • Artigo "Griots: Os contadores de histórias da África Antiga", Joseane Pereira.

  • Livro "Como contar contos", Daniel Mato.

Por Lúcia Tânia Augusto

sexta-feira, abril 24

Projeto Pertencimento Mapeamento da Economia Criativa Afro-Itabirana – Fortalecendo Nossa Identidade.

 

Por Lúcia Tânia AugustoHistoriadora e Gestora da Epocriativa

Há séculos, a gente em Minas caminha no ritmo dos ciclos econômicos. O ouro já passou, o ferro está cumprindo sua jornada, mas Itabira guarda uma jazida que não acaba nunca e que, agora, pede passagem: a nossa riqueza humana.


 

Se você olha para o horizonte e se pergunta "o que fica quando o minério acaba?", a resposta não é o vazio. Fica o que sempre esteve aqui: nossa arte, nossa cultura popular, nossos mestres e uma história que pulsa em cada esquina.

Do Extrativismo à Criatividade

A mudança que vivemos é, antes de tudo, uma mudança no olhar. Se por muito tempo fomos a cidade que "retira" da terra, agora somos convidados a ser a cidade que "cultiva" de dentro para fora. É o nascimento do Ciclo da Arte.

Em Itabira, esse novo ciclo tem cor, rosto e ginga: somos uma cidade com 73,5% da população negra e parda. Essa maioria vibrante é a dona dos saberes que vão manter Itabira viva. O silêncio que às vezes sentimos não é um fim, mas aquele fôlego antes do canto. É hora de transformar currículos em identidade e portfólios em mapas de possibilidades.

 


A Força que Fica: Nossos Mestres e Saberes

Enquanto as máquinas silenciam, os tambores e os saberes ancestrais ganham volume. O futuro de Itabira reside na nossa capacidade de valorizar o que é essencial: o talento que nasce da alma e a sabedoria que não precisa de molduras. Acreditamos em uma educação inclusiva e acessível, que não se perde na superfície da aparência ou na venda de imagens prontas, mas que mergulha na profundidade do saber fazer. É o reconhecimento de que cada pessoa, com suas diferentes formas de perceber e estar no mundo, contribui para a nossa riqueza coletiva através de:

  • Memória Viva e Plural: O resgate das narrativas dos nossos artistas negros e das trajetórias de pessoas com deficiência vai muito além do registro; é o alicerce para novos modelos de turismo e negócios onde a acessibilidade é a regra, e o talento, o protagonista.

  • Educação pelo Afeto e Inclusão: Nossos mestres e artesãos são os verdadeiros engenheiros desta era. Eles constroem pontes que todos podem atravessar, ensinando que o conhecimento se transmite pelo toque, pela escuta e pelo coração, garantindo que ninguém fique de fora dessa troca entre gerações.

  • Patrimônio Humano e Diversidade: Nossas irmandades e grupos de congado são os pilares de uma economia criativa que se fortalece na diversidade. É um sistema que não se exaure porque é baseado no valor humano real e no respeito às singularidades de cada mestre e aprendiz.

Um Convite ao Presente

A Epocriativa nasce para ser o solo onde essas sementes podem brotar. Quando você envia seu portfólio ou currículo, não está apenas preenchendo dados; está entregando uma ferramenta para construir esse novo tempo.

Queremos mostrar ao mundo que, se a mineração moldou nossas montanhas, é a arte negra e a cultura popular que moldam nossa alma.

O Amanhã já Começou

Falar de uma "Itabira Pós-Minério" não precisa dar medo. Pode ser uma festa para celebrar nossa potência! Convidamos cada artista, mestre de saber e agente cultural a dar esse passo com a gente.

O que sobra quando o minério acaba? Sobra o melhor de nós. Sobra a capacidade de reinventar a vida através da beleza e do fazer coletivo. Vamos juntos escrever esse capítulo?


Projeto Pertencimento Mapeamento da Economia Criativa Afro-Itabirana – Fortalecendo Nossa Identidade.

👉 Participe e responda pelo link: https://forms.gle/QszkFuSWDCQUQ8dp8

Sentir a história: A tridimensionalidade na Contação de Histórias

Contar histórias utilizando objetos tridimensionais como elemento principal é uma das formas mais potentes de promover a acessibilidade e a ...