terça-feira, abril 28

O Despertar da Palavra: Arte, Inclusão e o Poder de "Fazer Levantar" - Contação de Histórias e Acessibilidade

Contar histórias é uma das artes mais humanas que existem. Como nos ensina a tradição náuatle, o narrador é o tlaquetzqui: "aquele que, ao falar, faz as coisas se levantarem". Na jornada da educação, esse "levantar" ganha um sentido profundo de dignidade quando alcançamos todas as crianças, sem exceção. É nesse encontro entre a ancestralidade dos Griots africanos e a urgência da acessibilidade contemporânea que se consolida o trabalho da Epocriativa.


 

Desde 2025, desenvolvemos o Ecossistema "Distinta e Tirésias, o seu gato-guia", uma iniciativa que materializa a inclusão por meio de três ações formativas complementares:

  1. Curso de Educação Inclusiva: 40 horas de imersão divididas em 4 módulos.

  2. Videocast "Imagem não é tudo": Série de 5 episódios que exploram a percepção além da visão.

  3. Livro em Braille com Kit Pedagógico Inclusivo: Obra tátil acompanhada de material de apoio.

O ápice deste ciclo ocorrerá no dia 13 de dezembro, uma data de imenso valor simbólico: o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual. Instituída em 1961, a data coroa  um ato de afirmação de direitos e visibilidade.


A Escola como Território de Democratização e Política Pública

Acreditamos que a educação, a arte e a cultura são fios de uma mesma trama. Por isso, a importância de produtores culturais ocuparem as escolas é vital. Quando um projeto cultural entra no ambiente escolar, ele constrói uma política pública articulada, transformando a sala de aula em um território de democratização.

  • Descentralização e Equidade: A cultura sai dos eixos tradicionais e chega à comunidade, garantindo que alunos com deficiência na rede pública acessem ferramentas de vanguarda.

  • Sinergia Institucional: A intersetorialidade entre as pastas de Cultura e Educação fortalece a sustentabilidade dos projetos e responde a desafios reais do cotidiano pedagógico.

  • Formação do Cidadão: Para a criança deficiente, acessar uma contação de histórias pensada para ela — com objetos táteis e estímulos sensoriais — é um ato de reconhecimento de sua cidadania.


Alinhamento com a Legislação e a IN 29/2026

Este movimento está em total sintonia com a modernização das regras de fomento à cultura. A Instrução Normativa MinC nº 29, de 29 de janeiro de 2026, que rege a Lei Rouanet, reafirma que a cultura deve gerar impacto social, profissionalização e acessibilidade.

A nova regulamentação permite que projetos de formação continuada — como oficinas, workshops e a produção de conteúdos audiovisuais acessíveis — sejam inseridos nas metas de democratização do acesso. Ao capacitar professores e utilizar objetos tridimensionais, o produtor cultural atua como um agente de modernização, transformando a inclusão de um conceito abstrato em uma prática viva e pulsante.

Ao unir o rigor técnico da IN 29/2026 com a sensibilidade ancestral da narração oral, criamos um ambiente onde a arte é utilizada como motor de transformação social. Que em cada escola, as histórias continuem fazendo a vida e a esperança "se levantarem".


Fontes Consultadas:

  • Curso de Educação Inclusiva: Como contar histórias com objetos tridimensionais, com Cleide Cissa e Lúcia Tânia Augusto.

  • Instrução Normativa MinC nº 29 de 29 de janeiro de 2026 (Lei Rouanet).

  • Curso "Contação de histórias para iniciantes", Andrés Montero (Domestika).

  • Artigo "Griots: Os contadores de histórias da África Antiga", Joseane Pereira.

  • Livro "Como contar contos", Daniel Mato.

Por Lúcia Tânia Augusto

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui sua sugestão, perguntas ou comentários. Grata pela visita!

O Despertar da Palavra: Arte, Inclusão e o Poder de "Fazer Levantar" - Contação de Histórias e Acessibilidade

Contar histórias é uma das artes mais humanas que existem. Como nos ensina a tradição náuatle, o narrador é o tlaquetzqui : "aquele que...