O eixo central do projeto é o protagonismo das mulheres — mulheres africanas, mulheres negras, mulheres brasileiras — compreendidas como guardiãs de saberes, mas também como corpos historicamente atravessados por violências estruturais. Ao evocar os “cantos”, o projeto afirma a cultura como forma de denúncia, resistência e cuidado coletivo, fortalecendo processos de empatia, irmandade e mobilização social.Esse debate se torna ainda mais urgente diante de dados alarmantes divulgados pelo Unicef. Apenas nos primeiros nove meses de 2025, mais de 35 mil casos de violência sexual contra crianças foram registrados na República Democrática do Congo, em um cenário descrito como endêmico, sistêmico e em ascensão. Em 2024, quase 45 mil episódios foram reportados, representando cerca de 40% de todos os casos de violência sexual denunciados no país, um aumento significativo em relação a 2022. O Unicef alerta, ainda, que os números reais podem ser muito maiores, devido à subnotificação causada pelo medo, pela insegurança e pelo acesso limitado a serviços de proteção.Ao trazer esses dados para o contexto educativo e cultural, o Cantos para as Mulheres do Congo não busca apenas informar, mas formar consciência crítica. O projeto provoca reflexões sobre como a violência de gênero e contra crianças não é um problema distante ou exclusivo de outros países, mas uma questão global que se manifesta também no Brasil, sobretudo entre mulheres e meninas negras, pobres e periféricas.Nesse sentido, o projeto convida à irmandade entre mulheres, ao reconhecimento de lutas comuns e à construção de redes simbólicas e reais de enfrentamento à violência. A cultura, aqui, não é ornamento: é linguagem política, é pedagogia do sensível, é ferramenta de transformação social.Para a Epocriativa, apoiar e difundir projetos como este reafirma nosso compromisso com uma cultura viva, crítica e territorializada, capaz de dialogar com o mundo sem perder suas raízes locais, e de formar sujeitos mais conscientes, solidários e engajados na defesa da dignidade humana. Fonte: https://news.un.org/pt/story/2025/12/1851936Por Lúcia Tânia Augusto
domingo, janeiro 4
Nossos Projetos: Projeto Cultural "Cantos para as mulheres do Congo" pelo Grupo Cantos de Congo
O Projeto Cultural “Cantos para as Mulheres do Congo”, realizado pelo Grupo Cantos de Congo, integra o conjunto de iniciativas da Epocriativa – Escritório de Projetos de Arte e Cultura comprometidas com a arte como instrumento de formação crítica, justiça social e fortalecimento dos direitos humanos. Trata-se de um projeto que articula cultura, educação e consciência global, conectando tradições afro-diaspóricas a debates urgentes do mundo contemporâneo.Inspirado no princípio “pensar globalmente e agir localmente”, o projeto desenvolve ações pedagógicas voltadas para escolas de educação em tempo integral, dialogando especialmente com jovens e educadores. Por meio da música, do canto, da oralidade e da memória ancestral, o projeto amplia o olhar dos participantes para realidades africanas contemporâneas, em especial a da República Democrática do Congo, estabelecendo pontes críticas com a realidade social brasileira.
Nossos projetos: Projeto Musical "Choro Itabirano" com o Trio Doce de Côco
O Choro Itabirano é um projeto cultural executado pelo Trio Doce de Côco que reafirma o choro como linguagem viva, popular e profundamente brasileira, conectando tradição, território e memória musical. Em sintonia com o reconhecimento do choro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan, em fevereiro de 2024, o projeto assume como eixo central a valorização de um gênero historicamente marginalizado, mas fundamental para a formação da música popular brasileira.
Nascido no final do século XIX, no Rio de Janeiro, o choro consolidou-se a partir de formações instrumentais como violão, cavaquinho e flauta, combinando influências europeias com matrizes afro-brasileiras. Apesar de sua sofisticação musical, o gênero sofreu, ao longo de sua história, preconceitos de ordem colonialista e racista, sendo deslegitimado por elites que associavam valor artístico apenas à tradição erudita europeia (CLÍMACO, 2008). O Choro Itabirano parte exatamente desse ponto crítico: reconhecer o choro não apenas como herança musical, mas como expressão de resistência cultural oriunda de práticas populares e periféricas.
Ao ser desenvolvido em Itabira, o projeto desloca o eixo tradicional Rio–São Paulo e evidencia a capilaridade do choro nos territórios do interior, afirmando que o patrimônio cultural brasileiro é plural, descentralizado e em permanente reinvenção. O Trio Doce de Côco, ao interpretar e difundir o repertório do choro, dialoga com a trajetória histórica dos “chorões” que, desde Chiquinha Gonzaga até os coletivos contemporâneos, sustentaram o gênero apesar da exclusão simbólica e institucional (MOURA, 2024).O ponto mais importante que fundamenta o Choro Itabirano é a compreensão de que o reconhecimento institucional do choro não encerra sua luta histórica, mas amplia a responsabilidade de garantir sua vivência crítica, acessível e conectada às suas origens populares. Tal perspectiva dialoga com estudos recentes que demonstram como gêneros musicais ligados à negritude e às periferias — como o choro no passado e o funk, o axé e o pagode no presente — continuam sendo atravessados por processos de desqualificação estética e apagamento epistemológico (SANTOS, 2006; ROSSE, 2025).Assim, o projeto se posiciona não apenas como ação musical, mas como intervenção cultural e pedagógica, promovendo o choro como ferramenta de democratização do acesso à cultura, valorização da memória afro-brasileira e enfrentamento do racismo estrutural que ainda define quais expressões artísticas são legitimadas. O Choro Itabirano reafirma que patrimônio cultural não é peça de museu, mas prática viva, coletiva e situada — um direito cultural que se constrói no presente, com escuta, território e pertencimento. Referências: https://editora.uemg.br/quem-somos/blog/293-chorinho-patrimonio-cultural-imaterial-do-brasil-e-o-que-isso-nos-diz-sobre-generos-musicais-da-periferia Por Lúcia Tânia Augusto
Nossos projetos: Curso Parecerista e Analista Técnico Municipal de Projetos Culturais
Cuidar da política cultural de um município também é cuidar da credibilidade da instituição pública e da confiança que a sociedade deposita nela. O gestor cultural municipal ocupa um papel central nesse processo, garantindo que a análise e a seleção de projetos culturais sejam conduzidas com transparência, rigor técnico e responsabilidade ética.
Na prática, quando proponentes e empreendedores culturais percebem falhas nos processos — como pareceres pouco fundamentados, avaliações inconsistentes ou falta de clareza nos critérios — a crítica não se dirige a uma pessoa específica. Ela recai sobre a instituição cultural como um todo e, de forma direta, sobre a gestão pública responsável.
Isso acontece porque o trabalho do parecerista é, por natureza, técnico e anônimo. Quem responde publicamente pelas decisões, pelos editais e pelos resultados é a gestão. Por esse motivo, investir na qualificação das equipes de análise vai muito além de uma exigência formal: trata-se de uma estratégia de fortalecimento institucional, de proteção da imagem pública e de construção de legitimidade.
O Curso de Analista Técnico e Parecerista Municipal de Projetos Culturais nasce com esse compromisso. Ele oferece formação técnica, ética e contextualizada para profissionais que atuam — ou desejam atuar — na avaliação de projetos culturais, contribuindo para processos mais seguros, criteriosos e alinhados às políticas públicas de cultura.
Ao qualificar quem analisa, o município fortalece quem decide. E, sobretudo, constrói uma relação mais justa, transparente e confiável com a comunidade cultural e com a sociedade.
Série histórica: Parceria com instituições acadêmicas
Por que a Série Histórica é Estratégica para Parcerias Acadêmicas em CulturaNa sociologia da cultura, uma série histórica refere-se a um conjunto de dados ou registros culturais (como práticas, ideias, teorias, obras de arte, tendências de consumo, etc.) coletados e organizados sequencialmente ao longo do tempo. O objetivo é utilizar essa sequência temporal para analisar a mudança e a continuidade dos fenômenos culturais dentro de um contexto social específico. 1. Compreensão Diacrônica da Cultura: A série histórica permite analisar a cultura ao longo do tempo, identificando como tradições, práticas e políticas culturais se formam, se transformam e se reorganizam, superando leituras pontuais ou isoladas. 2. Identificação de Tendências e Ciclos Culturais: A análise longitudinal possibilita mapear padrões, ciclos, surgimento e declínio de movimentos culturais, contribuindo para estudos sobre identidade, diversidade e dinâmicas simbólicas contemporâneas. 3. Contextualização Histórica e Institucional: Os dados históricos situam os fenômenos culturais em seus contextos políticos, econômicos e tecnológicos, fortalecendo pesquisas interdisciplinares e análises críticas das políticas culturais. 4. Relação entre Cultura e Sociedade: A série histórica evidencia como valores, crenças e práticas culturais moldam comportamentos sociais e, simultaneamente, são transformados pelas estruturas sociais ao longo do tempo. 5. Base Metodológica para Pesquisa Aplicada: Ao integrar a dimensão temporal à análise sociológica, a série histórica se consolida como ferramenta metodológica fundamental para pesquisas acadêmicas, projetos de extensão e produção de conhecimento aplicado em cultura.
Aspectos Qualitativos (análise de mudança institucional)
1-Transformação do habitus institucional-Grau de padronização e coerência dos pareceres (análise documental). -Evolução da autonomia técnica e segurança decisória dos gestores. -Incorporação de linguagem mais clara, pedagógica e fundamentada.
2-Credibilidade e confiança social-Índice de satisfação dos proponentes culturais (pesquisas anuais). -Percepção de justiça, previsibilidade e transparência nos processos. -Qualidade do diálogo institucional entre Estado e agentes culturais.
3-Maturidade do campo da gestão cultural-Redução de conflitos simbólicos entre técnicos, jurídicos e proponentes. -Maior alinhamento entre política cultural, norma jurídica e prática administrativa. -Fortalecimento da legitimidade simbólica da instituição cultural.
Aspectos Quantitativos (mensuráveis ao longo do tempo)
1-Eficiência administrativa:-Número anual de recursos administrativos e impugnações jurídicas. -Percentual de pareceres devolvidos ou retificados. -Tempo médio de análise dos projetos (dias). -Quantidade de projetos analisados por servidor/ano. -Taxa de decisões mantidas após recurso.
2-Qualidade técnico-jurídica:-Percentual de pareceres com fundamentação jurídica considerada adequada (checklist normativo). -Número de decisões anuladas ou reformadas por instâncias superiores. -Incidência de erros formais ou legais por ciclo de avaliação.
3-Uso racional dos recursos públicos-Redução de custos operacionais indiretos (horas de trabalho, retrabalho, consultorias jurídicas). -Economia estimada com diminuição de processos administrativos e judiciais. -Relação custo por projeto analisado ao longo dos anos. -Investimento em capacitação versus economia gerada (ROI institucional).
A Epocriativa chegou a Itabira
A Epocriativa – Escritório de Projetos de Arte e Cultura Ltda passa a atuar oficialmente no município de Itabira (MG), fortalecendo o ecossistema cultural local por meio de pesquisa, desenvolvimento de projetos, formação profissional e ações integradas em arte, cultura, patrimônio e ciências sociais.
Com CNPJ nº 30.687.599/0001-44, a Epocriativa possui situação cadastral ativa desde 13 de junho de 2018, constituída como Sociedade Empresária Limitada (ME), com atuação reconhecida nas áreas de pesquisa aplicada, produção cultural, educação, gestão e desenvolvimento territorial.
🧭 Atividade Econômica Principal*Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais e humanas
🔧 Atividades Secundárias-Intermediação e agenciamento de serviços e negócios (exceto imobiliários) -Atividades profissionais, científicas e técnicas diversas -Organização de feiras, congressos, exposições e eventos culturais -Captação de recursos sob contrato -Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial -Artes cênicas, espetáculos e atividades culturais complementares 📞 Contato 📧 epocriativaescritoriodeprojeto@gmail.com 📱 (31) 99697-7843
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