domingo, janeiro 4

Nossos projetos: Projeto Musical "Choro Itabirano" com o Trio Doce de Côco

O Choro Itabirano é um projeto cultural executado pelo Trio Doce de Côco que reafirma o choro como linguagem viva, popular e profundamente brasileira, conectando tradição, território e memória musical.
Em sintonia com o reconhecimento do choro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan, em fevereiro de 2024, o projeto assume como eixo central a valorização de um gênero historicamente marginalizado, mas fundamental para a formação da música popular brasileira.
Nascido no final do século XIX, no Rio de Janeiro, o choro consolidou-se a partir de formações instrumentais como violão, cavaquinho e flauta, combinando influências europeias com matrizes afro-brasileiras. Apesar de sua sofisticação musical, o gênero sofreu, ao longo de sua história, preconceitos de ordem colonialista e racista, sendo deslegitimado por elites que associavam valor artístico apenas à tradição erudita europeia (CLÍMACO, 2008).
O Choro Itabirano parte exatamente desse ponto crítico: reconhecer o choro não apenas como herança musical, mas como expressão de resistência cultural oriunda de práticas populares e periféricas.
Ao ser desenvolvido em Itabira, o projeto desloca o eixo tradicional Rio–São Paulo e evidencia a capilaridade do choro nos territórios do interior, afirmando que o patrimônio cultural brasileiro é plural, descentralizado e em permanente reinvenção. O Trio Doce de Côco, ao interpretar e difundir o repertório do choro, dialoga com a trajetória histórica dos “chorões” que, desde Chiquinha Gonzaga até os coletivos contemporâneos, sustentaram o gênero apesar da exclusão simbólica e institucional (MOURA, 2024).
O ponto mais importante que fundamenta o Choro Itabirano é a compreensão de que o reconhecimento institucional do choro não encerra sua luta histórica, mas amplia a responsabilidade de garantir sua vivência crítica, acessível e conectada às suas origens populares.
Tal perspectiva dialoga com estudos recentes que demonstram como gêneros musicais ligados à negritude e às periferias — como o choro no passado e o funk, o axé e o pagode no presente — continuam sendo atravessados por processos de desqualificação estética e apagamento epistemológico (SANTOS, 2006; ROSSE, 2025).
Assim, o projeto se posiciona não apenas como ação musical, mas como intervenção cultural e pedagógica, promovendo o choro como ferramenta de democratização do acesso à cultura, valorização da memória afro-brasileira e enfrentamento do racismo estrutural que ainda define quais expressões artísticas são legitimadas. O Choro Itabirano reafirma que patrimônio cultural não é peça de museu, mas prática viva, coletiva e situada — um direito cultural que se constrói no presente, com escuta, território e pertencimento.
Referências:
https://editora.uemg.br/quem-somos/blog/293-chorinho-patrimonio-cultural-imaterial-do-brasil-e-o-que-isso-nos-diz-sobre-generos-musicais-da-periferia
Por Lúcia Tânia Augusto

Nossos projetos: Curso Parecerista e Analista Técnico Municipal de Projetos Culturais

Cuidar da política cultural de um município também é cuidar da credibilidade da instituição pública e da confiança que a sociedade deposita nela. O gestor cultural municipal ocupa um papel central nesse processo, garantindo que a análise e a seleção de projetos culturais sejam conduzidas com transparência, rigor técnico e responsabilidade ética.
Na prática, quando proponentes e empreendedores culturais percebem falhas nos processos — como pareceres pouco fundamentados, avaliações inconsistentes ou falta de clareza nos critérios — a crítica não se dirige a uma pessoa específica. Ela recai sobre a instituição cultural como um todo e, de forma direta, sobre a gestão pública responsável.
Isso acontece porque o trabalho do parecerista é, por natureza, técnico e anônimo. Quem responde publicamente pelas decisões, pelos editais e pelos resultados é a gestão. Por esse motivo, investir na qualificação das equipes de análise vai muito além de uma exigência formal: trata-se de uma estratégia de fortalecimento institucional, de proteção da imagem pública e de construção de legitimidade.
O Curso de Analista Técnico e Parecerista Municipal de Projetos Culturais nasce com esse compromisso. Ele oferece formação técnica, ética e contextualizada para profissionais que atuam — ou desejam atuar — na avaliação de projetos culturais, contribuindo para processos mais seguros, criteriosos e alinhados às políticas públicas de cultura.
Ao qualificar quem analisa, o município fortalece quem decide. E, sobretudo, constrói uma relação mais justa, transparente e confiável com a comunidade cultural e com a sociedade.

Série histórica: Parceria com instituições acadêmicas

Por que a Série Histórica é Estratégica para Parcerias Acadêmicas em Cultura
Na sociologia da cultura, uma série histórica refere-se a um conjunto de dados ou registros culturais (como práticas, ideias, teorias, obras de arte, tendências de consumo, etc.) coletados e organizados sequencialmente ao longo do tempo.
O objetivo é utilizar essa sequência temporal para analisar a mudança e a continuidade dos fenômenos culturais dentro de um contexto social específico.
1. Compreensão Diacrônica da Cultura: A série histórica permite analisar a cultura ao longo do tempo, identificando como tradições, práticas e políticas culturais se formam, se transformam e se reorganizam, superando leituras pontuais ou isoladas.
2. Identificação de Tendências e Ciclos Culturais: A análise longitudinal possibilita mapear padrões, ciclos, surgimento e declínio de movimentos culturais, contribuindo para estudos sobre identidade, diversidade e dinâmicas simbólicas contemporâneas.
3. Contextualização Histórica e Institucional: Os dados históricos situam os fenômenos culturais em seus contextos políticos, econômicos e tecnológicos, fortalecendo pesquisas interdisciplinares e análises críticas das políticas culturais.
4. Relação entre Cultura e Sociedade: A série histórica evidencia como valores, crenças e práticas culturais moldam comportamentos sociais e, simultaneamente, são transformados pelas estruturas sociais ao longo do tempo.
5. Base Metodológica para Pesquisa Aplicada: Ao integrar a dimensão temporal à análise sociológica, a série histórica se consolida como ferramenta metodológica fundamental para pesquisas acadêmicas, projetos de extensão e produção de conhecimento aplicado em cultura.

Aspectos Qualitativos (análise de mudança institucional)

1-Transformação do habitus institucional
-Grau de padronização e coerência dos pareceres (análise documental). -Evolução da autonomia técnica e segurança decisória dos gestores.
-Incorporação de linguagem mais clara, pedagógica e fundamentada.
2-Credibilidade e confiança social
-Índice de satisfação dos proponentes culturais (pesquisas anuais).
-Percepção de justiça, previsibilidade e transparência nos processos.
-Qualidade do diálogo institucional entre Estado e agentes culturais.
3-Maturidade do campo da gestão cultural
-Redução de conflitos simbólicos entre técnicos, jurídicos e proponentes.
-Maior alinhamento entre política cultural, norma jurídica e prática administrativa.
-Fortalecimento da legitimidade simbólica da instituição cultural.

Aspectos Quantitativos (mensuráveis ao longo do tempo)

1-Eficiência administrativa:
-Número anual de recursos administrativos e impugnações jurídicas.
-Percentual de pareceres devolvidos ou retificados.
-Tempo médio de análise dos projetos (dias).
-Quantidade de projetos analisados por servidor/ano.
-Taxa de decisões mantidas após recurso.
2-Qualidade técnico-jurídica:
-Percentual de pareceres com fundamentação jurídica considerada adequada (checklist normativo).
-Número de decisões anuladas ou reformadas por instâncias superiores.
-Incidência de erros formais ou legais por ciclo de avaliação.
3-Uso racional dos recursos públicos
-Redução de custos operacionais indiretos (horas de trabalho, retrabalho, consultorias jurídicas).
-Economia estimada com diminuição de processos administrativos e judiciais.
-Relação custo por projeto analisado ao longo dos anos.
-Investimento em capacitação versus economia gerada (ROI institucional).

A Epocriativa chegou a Itabira

A Epocriativa – Escritório de Projetos de Arte e Cultura Ltda passa a atuar oficialmente no município de Itabira (MG), fortalecendo o ecossistema cultural local por meio de pesquisa, desenvolvimento de projetos, formação profissional e ações integradas em arte, cultura, patrimônio e ciências sociais.
Com CNPJ nº 30.687.599/0001-44, a Epocriativa possui situação cadastral ativa desde 13 de junho de 2018, constituída como Sociedade Empresária Limitada (ME), com atuação reconhecida nas áreas de pesquisa aplicada, produção cultural, educação, gestão e desenvolvimento territorial.
🧭 Atividade Econômica Principal
*Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais e humanas
🔧 Atividades Secundárias
-Intermediação e agenciamento de serviços e negócios (exceto imobiliários)
-Atividades profissionais, científicas e técnicas diversas
-Organização de feiras, congressos, exposições e eventos culturais
-Captação de recursos sob contrato
-Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial
-Artes cênicas, espetáculos e atividades culturais complementares
📞 Contato 📧 epocriativaescritoriodeprojeto@gmail.com 📱 (31) 99697-7843

Compromisso com Itabira

A chegada da Epocriativa a Itabira reafirma seu compromisso com o desenvolvimento cultural sustentável, a valorização dos territórios, a produção de conhecimento, a formação de agentes culturais e a estruturação de projetos estratégicos em diálogo com o poder público, a iniciativa privada, instituições de ensino e comunidades locais.
A Epocriativa se coloca à disposição para parcerias institucionais, projetos de pesquisa, ações formativas, consultorias culturais e programas integrados de arte, cultura e patrimônio, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural itabirana e regional.

Curso: Receptivo Afroturismo Mineiro

"Ao participar do curso sob a perspectiva do Afroturismo em cidades mineradoras como Itabira é espreitar um exercício que chamo de...