segunda-feira, julho 27

Rosalene: nossa Agente Cultural de Memória (Pesquisa Oral e Salvaguarda) - Educação Inclusiva - Itabira, MG

Resgatando Afetos e Autonomia: O Olhar Feminino na História da Inclusão em Itabira

Toda cidade guarda histórias que não estão nos livros oficiais, mas sim na memória, nas mãos e na voz de quem viveu cada conquista. No que diz respeito às mulheres com deficiência visual, isso confere uma verdade profunda quando  identificamos  as várias camadas de exclusão e apagamento da trajetória de militantes da causa da inclusão buscando espaços de fala e oportunidades de exercerem seus dons, a autonomia e a busca do conhecimento.
 

 Em Itabira, a trajetória da inclusão ganha um novo capítulo registrado por mãos atentas e escuta sensível: a atuação da Agente Cultural de Memória (Pesquisa Oral e Salvaguarda). 
Rosalene aceitou o desafio de entrevistar Cleide Cissa, Cassiana e Thayná pedindo licença para ir em suas casas e abrindo a sua escuta ativa mapeando afetos e processando o registro de um patrimônio imaterial que trata de experiências reais que ficariam invisíveis, não fosse a sua iniciativa de parceria com a Epocriativa. 



Essa função — já reconhecida pelas políticas públicas do Ministério da Cultura (MinC) e do IPHAN, e metodologicamente estruturada para este projeto pela Epocriativa — tem uma missão nobre: escutar, registrar e salvar do esquecimento os relatos afetivos daqueles que construíram e vivenciaram a no seu dia a dia.

Três Mulheres, Uma Jornada de Transformação
O coração dessa pesquisa ganha vida na escuta qualificada das trajetórias de Cleide Cissa, Cassiana e Thayná. Por meio da história oral, a iniciativa destaca o protagonismo e o olhar feminino no processo de inclusão social e acessibilidade no município.

As entrevistas acontecem em paralelo ao Curso de Educação Inclusiva, uma formação estruturada em 4 módulos práticos que exploram formas diversas e sensoriais de narrar a vida:

🏺 Contar histórias com objetos tridimensionais (resgate do tátil e do acervo afetivo);

🎵 Contar histórias cantando (a sonoridade como ponte de memória);

💃 Contar histórias dançando (a expressão corporal e o movimento inclusivo);

⠼ Contar histórias utilizando livros em Braille (a escrita da autonomia e do acesso).

Uma data emblemática: Essa caminhada de formação, escuta e salvaguarda culmina no dia 13 de dezembro de 2026, no Dia Nacional do Deficiente Visual, celebrando a autonomia e a democratização da memória local.

O Papel do Agente Cultural de Memória: Como Funciona na Prática?
Mais do que uma pesquisadora, a Agente Cultural de Memória atua como uma mediadora comunitária. O seu trabalho vai desde o acolhimento humano até a organização técnica do acervo:

Escuta Ética e Afetiva: Articulação e encontros para captação de relatos gravados.

Salvaguarda Digital: Transcrição, catalogação de fotos, documentos e objetos de valor histórico.

Validação Comunitária: Garantia de que a própria comunidade reconheça e aprove como sua história será contada e divulgada publicamente.
 
Por Lúcia Tânia Augusto - Epocriativa 

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