sábado, março 27

O medo de falar em público e padrões de negatividade: malhando o ego...

Não importa a idade, o sexo, a posição social ou características físicas. Não importa também o contexto: entrevista de emprego, relacionamento amoroso, apresentação de trabalho escolar ou apresentação de produtos ou serviços, pedido de aumento, de casamento, ou término... A equação é a mesma: se você for tímido tende a sofrer muito e reforçar atitudes destrutivas quando se expressa em público. Sozinho também. O foco é um padrão de oralidade e narrativas que tem a raiz no reforço negativo. O tímido não precisa de ninguém para desqualificá-lo. A solução, portanto, é mudar este padrão. Trata-se só de um monitoramento da "comunicação intra e interpessoal". Ou seja, autoconhecimento e uma decisão de mudar. Por que isso? Por que todo o desconforto na comunicação interpessoal tem, na raiz, a timidez: o temor. A palavra timidez, vem do latim - timere- aquele que teme. São pessoas saudáveis, capazes de feitos fantásticos, mas que tem um padrão de expressão desarticulado. Para quem não a conhece com mais profundidade passa-se uma imagem totalmente conflituosa, insegura e indecisa. Parece e, só "parece" um fracassado ou fracassada. Ou seja, trata-se da imagem, não da essência da pessoa. Este sofrimento retroalimenta as suas convicções. E, sinceramente? Não, este recurso não é finito. Renova-se todo dia. É uma corrida do cachorro atrás do rabo. Está tudo dentro da cabeça do dita, da dita. Existe uma bengala emocional que sustenta as mesmas relações para ninguém desviar deste padrão. Com estas características é importante que o professor trabalhe a potência, o que a pessoa tem de melhor e suas forças. Lembre-se: este perfil tende a ser bem cruel consigo mesmo. Não precisa de mais ninguém para fazer isso. Outra característica interessante é, não só se negar a receber qualquer elogio, como reagir de forma agressiva e desconsiderar veementemente. Saiba que reforçar autoimagem negativa, gera um certo orgulho, do tipo, essa dor já conheço. Há uma coleta de "evidências" das suas crenças o tempo todo, incessantemente, sozinho ou acompanhado. Isso traz um conflito enorme para seu meio social, principalmente, entre as pessoas que lhe querem bem e sabem das suas potencialidades.
Se não houver uma mudança de padrão de pensamento de negativo para positivo é como desejar perder peso e não cuidar da educação alimentar e se negar fazer atividades físicas. Algumas sugestões, lembrando a máxima do Austin Kleon: "Todo conselho é autobiográfico." Estou sugerindo por que ainda, todos os dias, vivencio isso. Lembre-se sempre dos estudos sobre hábitos: você não elimina um hábito ruim, na verdade, o que faz é criar e reforçar bons hábitos que se sobreponham a ele. Repito, não afirmo como psicóloga, não sou. Digo isso, como tímida que se policia todos os dias. Ah! Antes uma premissa básica: quanto mais tímido, mais tempo deve seguir as orientações abaixo, ok? O tempo de dedicação deve ser proporcional às dificuldades de eliminar a negatividade. Portanto, sugiro a autoeducação com o propósito de se transformar em quem deseja na proporção certa: -Primeiro hábito é: silencie. Isso mesmo! Cale a boca! Seu discurso você mesmo e todos da sua convivência conhece de cor. Surpreenda e sorria. Ótimo! Estrelinha se conseguir só fazer isto. Posto isso, ensaie como irá agir diante da sua mudança perante os outros? É só observar-se, respirar e tomar deste momento maravilhoso. Libertação pura! Consciência de um estado corporal diferente. Não é mais medo, é frisson... A partir dai, anote, diariamente, os elogios recebidos. Poupança emocional. Tipo um fundo de reserva. Quando cair no pecado da autodestruição pública, morda a língua e releia. -Em segundo lugar, busque referências de pessoas autoconfiantes e positivas em canais acessíveis do seu dia a dia. Pode ser escondido. Mas busque pessoas que tratam de assuntos que sejam do seu "Circulo de Competências"*. Pense em algo que você faz mesmo sem receber nada por isso. Em cada "travada" é melhor soltar uma risada e seguir em frente. Ele necessitará aprender sobre a etiqueta, a didática e o método. Você pode até mesmo imitar pessoas. Olha aí o repertório pessoal enriquecendo e aumentando. Decore frases, poesias, nomes e mais dados dessas pessoas. Dá-lhe mais reserva... AH! Não se esqueça de verificar também quando estas ficam em "saias justas"... -Logo depois, vá ensinar o que aprendeu com elas em bate-papos e outras situações. Escreva. Ensaie como se fosse uma palestra. Finja que criou um método para que as pessoas aprendam, até descobrir nas suas pesquisas que não há de muito novo... Mas, pra começar essa ingenuidade ajuda. -Por fim, escrever sobre os passos anteriores relatando os desafios, as conquistas, os medos e as pequenas vitórias. -Vá aumentando as dificuldades, buscando mais variáveis etc etc Esse processo é que chamamos de alinhamento dos repertórios pessoais, sociais, culturais que interagem o tempo todo. Mundo interno conectado o externo, essas polaridades geram um equilíbrio entre mensagem, meio e imagem. Espero ter ajudado... Lúcia Tânia Augusto - Professora *"O Círculo de Competência é um conceito simples: cada um de nós, através da experiência ou de estudos, construiu conhecimento útil em alguma área da vida. Algumas dessas áreas são comuns à maioria das pessoas. Já outras exigem maior nível de especialização tanto para avaliar quanto para atuar." Fonte: ttps://www.profissaoatitude.com.br em 27 de março de 2021. **Limiares são testes, portais de passagem de uma fase para outra da Jornada do Herói (Monomito). Uso deste termo utilizo de acordo com os estudos de Joseph Campbell. Leia "Herói de mil faces".

segunda-feira, março 22

Escritores são como gatos ou o encontro com o arquétipo

Segundo Luiz Ruffato, "os escritores se identificam com os gatos, porque, como eles, esses felinos são introspectivos e amigos do silêncio." Nas minhas pesquisas sobre contação de histórias, narratologia e etnografia digital encontrei-me neste arquétipo (modelo). Não estou me comparando a escritores e escritoras já consagrados, porém precisava me harmonizar com esta nova carreira e escolhi o gato. Desde já, esclareço que não tenho nenhum bichano e nem desejo ter. Quem conhece o trabalho de Joseph Campbell e, seu mais fiel escudeiro, Christopher Vogler, sabe do quanto é precioso o conceito de arquétipo para a vida real, cotidiana. Jung, nos ensinou a contemplar não só o mundo racional, mas o simbólico. Ancorei a minha vontade nessa ideia: é preciso um arquétipo forte o suficiente para auxiliar na travessia. Pode ser uma mudança de carreira, uma nova forma de ver a vida, um novo amor, um desafeto que ronda a sua sanidade. O motivo não importa e, creio eu que está de bom tamanho.
==>Jung, em "O homem e os seus símbolos", afirma: "O animal, que é no homem a sua psique instintiva, pode tornar-se perigoso, quando não é reconhecido e integrado na vida do indivíduo. A aceitação da alma animal é a condição da unificação do indivíduo, e da plenitude do seu desabrochamento".http://blog-psique.blogspot.com/2011/03/o-animal-no-sonho.html em 22/03/2021.
==> Vogler, em "A jornada do escritor - Estruturas míticas para contadores de histórias e roteiristas" afirma: "Uma compreensão dessas forças é um dos elementos mais poderosos no baú de truques de um moderno contador de histórias" [...] "O conceito de arquétipo é ferramenta indispensável para se compreender o propósito ou função dos personagens em uma história." página 48, da edição 1997.
Percebi que para ser amiga das palavras, deveria ser amiga do silêncio, da noite e estabelecer outros ritmos. Mais feminina, mais macia porém, não menos selvagem. No gato:
" (...)a imagem evoca flexibilidade, disponibilidade para a transformação, plasticidade da conduta, da feminilidade, do mistério; Independência, é ele que nos escolhe... Se um gato aceitar seu carinho na certa você é um privilegiado, ou do contrário, ele foge e se encolhe...., a leitura do felino é direto na alma. - Numa abordagem psicológica diz-se que o animal irracional somos nós, as energias vitais do instinto que se agitam em nós, e que por vezes tomam o comando e nos controlam." Fonte: http://blog-psique.blogspot.com/2011/03/o-animal-no-sonho.html
O ritmo da casa com minha presença muda, agora. Nestes silêncios, contemplaçõe e percepção destes ritmos internos durante a escrita descobri minha diversidade, as tais sete vidas dos felinos. Minha impulsividade na diária na palavra falada se transformaria na imprevisibilidade na escolha das palavras para jorrar versos e prosas na tela em branco. Frisons, uma necessidade da aventura em que não cabe medo, só coragem. Esta descoberta foi feita pela minha opção por iniciar a minha carreira pelo verso, poesia, por meio do livro "Profana: Poesia de rua" Ah! E como me descobri vivenciando o arquétipo da gata? Por que cresci com a liberdade da rua à minha disposição. Não rua não se demonstra medo, quando você para, olha e se coloca com altivez as pessoas te respeitam. Rua não é lugar de demonstrar medo...A noite e a rua são amigas. Minha glandula pineal anda bem antenada com as fases da lua. Não me comprometo com a coerência, me fiz amiga dos mistérios... Há uma paciência na espera das palavras como brincar com uma bola lã. E o cheiro? Ah! O cheiro... risos Nessa ambiguidade latente: Cedo não é tão tarde, tarde ainda é muito cedo. Sou presença macia, desde que não cerceem a minha liberdade... Talvez seja assim mesmo ser escrita-felina: agressiva, torneada na rua, de raios de lua, se saio e não sei se volto mais. Depende. Dupla atenção: na vida cotidiana, na vida extraordinária, criativa. Os acessos sensíveis aos vários mundos que coabitam. Percebendo não somente o dito, mas principalmente o não-dito. Desdobramento... Nos textos sem vergonha de ser afetiva ponho-me a ronronrar... Leia alguns artigos interessantes sobre Escritores e Gatos (todas as consultas em 22/03/2021): 1.https://brasil.elpais.com/babelia/2020-02-17/de-balzac-a-cortazar-quem-sao-os-escritores-seduzidos-por-gatos.html 2.https://www.folhape.com.br/cultura/gatos-e-escritores-uma-relacao-de-afeto-e-inspiracao/150092/ 3.https://biblioteca.pucrs.br/curiosidades-literarias/voce-sabe-por-que-os-escritores-preferem-os-gatos/#:~:text=Na%20literatura%20os%20gatos%20sempre,do%20que%20%C3%A0%20sua%20fam%C3%ADlia.

Curso: Receptivo Afroturismo Mineiro

"Ao participar do curso sob a perspectiva do Afroturismo em cidades mineradoras como Itabira é espreitar um exercício que chamo de...