A escritora é folclorista Andreia Patrícia participa, no próximo sábado, do Festival Sempre um Papo, iniciativa do Governo de Minas. Na oportunidade, divulgará suas obras "O livro do congadeiro" e "Memórias que não se perdem"sábado, fevereiro 21
A escritora e folclorista Andreia Patrícia participa, no próximo sábado, do Festival Sempre um Papo, iniciativa do Governo de Minas. Na oportunidade, divulgará suas obras "O livro do congadeiro" e "Memórias que não se perdem"#SempreUmPapo#EnergiaDaCultura
A escritora é folclorista Andreia Patrícia participa, no próximo sábado, do Festival Sempre um Papo, iniciativa do Governo de Minas. Na oportunidade, divulgará suas obras "O livro do congadeiro" e "Memórias que não se perdem"segunda-feira, fevereiro 16
Registros e Proposições Poético-Pedagógicas: A Arte de Narrar a Margem com Walter Benjamin
Registros e Proposições Poético-Pedagógicas: A Arte de Narrar a Margem com Walter Benjamin
Introdução: O Resgate da Experiência no Silêncio da Modernidade
Em seu ensaio O Narrador, Walter Benjamin nos alerta para um sintoma cruel da modernidade: a perda da capacidade de intercambiar experiências. Substituída pela pressa da informação e pelo isolamento dos indivíduos, a narrativa oral — aquela que se partilha ao redor do fogo ou no balanço de uma costura — parecia condenada ao desaparecimento. No entanto, quando lançamos o olhar para as margens sociais e urbanas de Belo Horizonte, percebemos que o diagnóstico de Benjamin ganha contornos de resistência.
Nas salas de aula dos cursos de educação inclusiva, onde o ensino de técnicas de contação de histórias ganha vida, o que se faz não é apenas uma transmissão técnica de modulação de voz ou expressão corporal. O que se propõe ali é uma metodologia poético-pedagógica de devolução da palavra ao povo, transformando sujeitos historicamente silenciados em guardiões de suas próprias memórias.
1. O Narrador da Margem: Da Informação à Erfahrung
Benjamin divide a arte de narrar a partir de dois arquétipos ancestrais: o camponês sedentário (aquele que conhece as histórias locais, as tradições do seu chão) and o marinheiro viajante (aquele que traz as novidades de terras distantes). Na metodologia construída para o ensino da contação de histórias na educação inclusiva, o aluno da margem encarna a fusão dessas duas potências. Ele é o camponês porque traz em si a raiz, a origem do seu povo, a ancestralidade periférica; e é o marinheiro porque precisou navegar pelas adversidades de um mundo que tenta excluí-lo por sua condição física, mental ou socioeconômica.
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| Criada por IA: pintura Naïf com um Griot (viajante) com um índio (sedentário) |
A metodologia se afasta radicalmente da lógica da "informação" moderna — que precisa ser explicável, imediata e consumível. A contação de histórias proposta na pedagogia inclusiva busca a Erfahrung: a experiência profunda, aquela que deita raízes no tempo e que só se materializa quando o corpo do narrador se faz presente. Ensinar a contar histórias na margem é validar que a vivência desses alunos não é um "caso clínico" ou um "dado estatístico", mas matéria-prima poética de valor universal.
2. A Comunidade de Escuta e o Corpo como Tecido Narrativo
Para Benjamin, a narrativa verdadeira tem uma dimensão artesanal. Ela se impregna na vida do narrador como a mão do oleiro no vaso de barro. No contexto da educação inclusiva, o próprio corpo do aluno — com suas marcas, ritmos, pausas e singularidades — é o barro. A metodologia poético-pedagógica compreende que a voz trêmula, a gesticulação alternativa ou o tempo expandido de um estudante com deficiência não são ruídos a serem corrigidos pela técnica, mas a própria assinatura de sua poética.
Além disso, a contação de histórias exige o que Benjamin chamava de "comunidade de ouvintes". O aprendizado ocorre na circularidade do afeto:
O tédio criativo: Benjamin dizia que o ritmo da vida moderna acabou com o tédio, que é o "pássaro onírico que choca o ovo da experiência". Na sala de aula, desacelerar o tempo pedagógico permite que a memória flua.
A escuta ativa: A técnica de contar histórias começa pelo direito de ser ouvido. Na margem, onde o poder hegemônico dita quem fala, o ato de escutar o outro no círculo de aula cria um espaço seguro para que a identidade se recomponha.
3. Escovar a História a Contrapelo: Uma Pedagogia da Redenção
Nas suas teses Sobre o Conceito de História, Benjamin afirma que é preciso "escovar a história a contrapelo" para resgatar a voz dos vencidos, daqueles que foram soterrados pela narrativa oficial dos vencedores.
A proposição pedagógica deste ensaio assume esse compromisso político e poético. Ao instrumentalizar o povo com as técnicas da oralidade, permitimos que eles próprios façam a arqueologia de suas origens. Contar uma história tradicional, um causo local ou uma vivência comunitária de resistência é uma forma de fazer justiça histórica. A pedagogia inclusiva se torna, portanto, uma pedagogia da redenção benjaminiana: ela recolhe os fragmentos, as ruínas do que a sociedade considerou "inútil" ou "marginal", e transforma esses estilhaços em joias da cultura popular.
Proposições Práticas para a Sala de Aula
Benjamin dizia que o narrador deixa seus vestígios na história como o tecelão no tapete.
A Dinâmica: Peça para os alunos trazerem de casa um objeto pequeno que tenha história (uma chave antiga, um lenço, uma caneca trincada, um brinquedo). Se o aluno não tiver ou esquecer, ofereça uma caixa com objetos variados (conchas, pedras, tecidos).
A Ação: Em círculos, cada aluno deve segurar o objeto com os olhos fechados por dois minutos, sentindo a textura, o peso e a temperatura. Depois, eles devem contar uma história (real ou inventada) a partir do tato.
Inclusão na Prática: Para alunos não-verbais ou com deficiências cognitivas severas, o objeto serve como ancoragem sensorial. Eles podem expressar a história através de sons, apontando para texturas ou usando expressões faciais que a mediação do professor traduz em palavras para o grupo, validando aquela expressão como narrativa legítima.
Para Benjamin, a informação é estéril; a experiência (Erfahrung) vive no corpo.
A Dinâmica: Estenda uma corda ou fita crepe no chão da sala de aula. Essa fita representa a linha de uma história comum (pode ser um conto tradicional conhecido por todos, como a história de um bicho da floresta).
A Ação: Cada aluno, ao seu tempo, deve caminhar sobre a linha e dar um "passo narrativa". Mas atenção: eles não usam palavras. Eles devem transmitir o sentimento daquele trecho da história (o medo do lobo, a alegria da descoberta) usando apenas o ritmo do próprio passo, um gesto ou a modulação de um som/respiração.
Inclusão na Prática: Alunos com mobilidade reduzida ou cadeirantes ressignificam a linha: o "passo" pode ser o movimento das rodas, a inclinação da cabeça ou o movimento dos olhos. O grupo aprende a desacelerar a sua escuta visual para acompanhar o tempo do outro, quebrando a pressa da "informação" moderna que Benjamin tanto criticava.
Este exercício resgata a memória coletiva da margem, juntando os fragmentos daquilo que a história oficial costuma descartar.
A Dinâmica: Espalhe retalhos de tecidos diferentes no centro da sala. Cada retalho representa um pedaço de uma memória local ou da comunidade dos alunos (o cheiro da chuva no teto de amianto, o som do ônibus lotado, o café passado na cozinha da avó).
A Ação: Um aluno escolhe um retalho e começa uma frase: "Eu me lembro de..." (trazendo uma memória real da sua origem). O aluno ao lado pega outro retalho e continua a história do primeiro, costurando a sua própria vivência à dele: "e lá também tinha...".
Inclusão na Prática: Ao final, os retalhos são amarrados ou colados juntos, criando o "Manto da Memória" do grupo. Essa dinâmica mostra que a história do povo não é feita de grandes heróis, mas de pequenos fragmentos cotidianos. Todos participam, independentemente de suas limitações, pois qualquer memória — por mais simples que seja — é um fragmento valioso que impede o esquecimento.
O Papel do Educador como Mediador Benjaminiano: Nessas dinâmicas, o seu papel não é o de um juiz técnico que avalia se a dicção está perfeita ou se a história tem começo, meio e fim linear. Seu papel é criar o que Benjamin chamava de comunidade de ouvintes: garantir o silêncio acolhedor e o tempo necessário para que o artesanato de cada aluno possa se manifestar.
Conclusão: A Poética como Prática de Liberdade
Desenvolver uma metodologia de contação de histórias sob a luz de Walter Benjamin é compreender que a pedagogia não pode ser um processo de domesticação ou mera capacitação funcional. Trata-se de uma intervenção poética no tempo. Ao cruzar a origem desse ensino nos cursos inclusivos de Belo Horizonte com o conceito de cultura de margem, o registro pessoal deixa de ser apenas um relato e passa a ser uma proposição teórica: a de que o povo, quando assume o papel de narrador, deixa de ser assistido pela história para se tornar o autor dela.
Por Lúcia Tânia Augusto
Serviços prestados pela Epocriativa: Fluxo de Interferência nas Políticas Públicas e Validação de Ações
sábado, janeiro 24
Curso: Receptivo Afroturismo Mineiro
Considero o curso um modernismo contemporâneo. Que questiona padrões e vai em busca de aspectos nunca antes refletidos. Itabira, uma cidade cuja economia é profundamente ligada à mineração, pode parecer um lugar improvável para se falar em afroturismo. Afinal, a mineração é a principal fonte de renda e emprego para muitos moradores. Mas é justamente essa estranheza que nos convida a pensar fora da caixa. O afroturismo não é apenas sobre promover a cultura negra, mas também sobre encontrar novas formas de valorizar a história e a identidade de uma cidade. Deixar de lado, por um momento, gostos impostos pela colonização européia sobre o que é bonito ou feio, digno de ser contemplado ou ignorado, o que é caro ou barato, o que tem Valor e o que não tem Valor… É um convite a explorar as rias e veias da nossa cultura, muitas vezes esquecidas ou subestimadas. É um exercício de criatividade e inovação, que nos desafia a ver além da mineração e descobrir novas possibilidades. Nesse sentido, o diagnóstico que fizemos com vocês é fundamental. Ele nos ajuda a entender como vocês percebem o afroturismo em Itabira e quais são as suas expectativas em relação ao curso. É um ponto de partida para nossa jornada juntos, um convite a explorar novas ideias e perspectivas Venha descobrir o poder do Afroturismo Mineiro! O Afroturismo é uma forma de turismo que valoriza a cultura e a história afro-brasileira, promovendo pertencimento, identidade e reparação histórica de territórios criativos. Perído de inscrições: de 23/02 a 10/04/2026 Data e horário: 11/04/2026, das 8h às 18h Local: Casa 3. R. Josefina Bragança, 91. Vila Piedade. Itabira, MG. Investimento: R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) Aprenda: - A importância do rigor da pesquisa da história local - Como o Afroturismo pode ser uma ferramenta de transformação social e econômica para as comunidades periféricas - Mapeamento dos pontos turísticos da localidade como trabalho final para receber certificado! Vagas limitadas: 20
EPOCRIATIVA: Fomentando a Arte e a Cultura Afro-Brasileira em Itabira
Nossos Serviços- Pesquisa Qualitativa e Histórica - Economia Criativa - Consultoria Criativa e Gestão de Projetos - Produção Cultural - Assessoria Contábil e Jurídica - Consultoria de Acessibilidade - Pedagogia - Cursos: - Produção Cultural - Analista Técnico e Parecerista Municipal de Projetos Culturais - Afroturismo Receptivo - Elaboração de Projetos Culturais
Nossa MissãoFomentar o mercado da arte e da cultura afro-brasileira em Itabira, oferecendo suporte à cadeia de valores das artes e promovendo a inclusão e a acessibilidade.Nossa equipe é composta por profissionais independentes e parceiros comerciais especializados em diversas áreas das artes e cultura. Estamos à disposição para fornecer profissionais da área e nossos artistas para atender suas necessidades. Endereço: Rua Guarda Mor Custódio, 155 - Letra E Centro, Itabira, MG
domingo, janeiro 4
Nossos projetos: Território Aleijadinho
Que mulheres faziam parte do cotidiano de Aleijadinho? Como era o universo feminino palpável em sua vida? Quais referências, vínculos e experiências atravessaram sua formação? O que os acervos, documentos, tradições orais e práticas populares podem revelar para essa pesquisa?Ao levantar essas questões, o projeto amplia o campo da história da arte ao integrar pesquisa, educação patrimonial e Artes Integradas como estratégia de ação. Atuamos diretamente em escolas de educação em tempo integral, garantindo aos jovens o Direito Cultural e o acesso a uma história da arte que é também brasileira, plural, feminina e territorializada.O Território Aleijadinho não é apenas um projeto de investigação histórica, mas um processo formativo que conecta pesquisadores, educadores, estudantes e territórios, articulando passado e presente, patrimônio e educação, arte e cidadania.
É direito dos jovens conhecerem a própria história sem deturpações e, por meio do pensamento crítico, da curiosidade e do espírito de pesquisa, desenvolverem habilidades que os tornem cidadãos mais plenos, conscientes e comprometidos com seu papel no mundo.
Nossos Projetos: Projeto Cultural "Cantos para as mulheres do Congo" pelo Grupo Cantos de Congo
O eixo central do projeto é o protagonismo das mulheres — mulheres africanas, mulheres negras, mulheres brasileiras — compreendidas como guardiãs de saberes, mas também como corpos historicamente atravessados por violências estruturais. Ao evocar os “cantos”, o projeto afirma a cultura como forma de denúncia, resistência e cuidado coletivo, fortalecendo processos de empatia, irmandade e mobilização social.Esse debate se torna ainda mais urgente diante de dados alarmantes divulgados pelo Unicef. Apenas nos primeiros nove meses de 2025, mais de 35 mil casos de violência sexual contra crianças foram registrados na República Democrática do Congo, em um cenário descrito como endêmico, sistêmico e em ascensão. Em 2024, quase 45 mil episódios foram reportados, representando cerca de 40% de todos os casos de violência sexual denunciados no país, um aumento significativo em relação a 2022. O Unicef alerta, ainda, que os números reais podem ser muito maiores, devido à subnotificação causada pelo medo, pela insegurança e pelo acesso limitado a serviços de proteção.Ao trazer esses dados para o contexto educativo e cultural, o Cantos para as Mulheres do Congo não busca apenas informar, mas formar consciência crítica. O projeto provoca reflexões sobre como a violência de gênero e contra crianças não é um problema distante ou exclusivo de outros países, mas uma questão global que se manifesta também no Brasil, sobretudo entre mulheres e meninas negras, pobres e periféricas.Nesse sentido, o projeto convida à irmandade entre mulheres, ao reconhecimento de lutas comuns e à construção de redes simbólicas e reais de enfrentamento à violência. A cultura, aqui, não é ornamento: é linguagem política, é pedagogia do sensível, é ferramenta de transformação social.Para a Epocriativa, apoiar e difundir projetos como este reafirma nosso compromisso com uma cultura viva, crítica e territorializada, capaz de dialogar com o mundo sem perder suas raízes locais, e de formar sujeitos mais conscientes, solidários e engajados na defesa da dignidade humana. Fonte: https://news.un.org/pt/story/2025/12/1851936Por Lúcia Tânia Augusto
Arte Naïf, poesia do cotidiano: Viva José Assunção!
Há uma força extraordinária na arte que brota da pureza, da observação atenta do cotidiano e da ausência de amarras acadêmicas. A Ar...
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## Nada sobre nós, sem nós! A travessia do primeiro limiar do Curso de Educação Inclusiva na Escola Municipal Coronel José Batis...
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A escritora é folclorista Andreia Patrícia participa, no próximo sábado, do Festival Sempre um Papo, iniciativa do Governo de Minas. Na opor...
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Entre 2023 e 2024, vivi um dos períodos mais intensos e transformadores da minha vida. Morei por mais de um ano em Sabará , e ali comecei,...






