Vocação central: impacto real em comunidades, com trocas intergeracionais e valorização da ancestralidade africana.
domingo, janeiro 4
CASES DE IMPACTO COMUNITÁRIO
AMORITA & Quintal do Ouro (Zona Rural)
Cultura alimentar, economia solidária e memória como patrimônio vivo.Clube de Mães Santa Ruth (Periferia Urbana)
Protagonismo feminino, redes de cuidado e memória social.Escola Municipal Edith de Assis Costa
Educação patrimonial aplicada ao Ensino Fundamental II.Sabará – Casa Aleijadinho, com o curso de Turismo Receptivo em parceria com Secretaria de Cultura e Turismo.Mediação cultural, turismo educativo e democratização do patrimônio.
Por que a Epocriativa existe
A Epocriativa nasce dessa vivência crítica no campo da cultura: da percepção do rompimento da cadeia de valor da arte, da desigualdade no acesso aos mecanismos de fomento, da fragilidade na formação de técnicos e pareceristas e da urgência por processos mais humanos, transparentes e qualificados.Nossa atuação articula formação técnica, mediação cultural e projetos comunitários, criando um círculo virtuoso entre ideias, pessoas, políticas públicas e territórios.
Foco estratégico1-Educação Patrimonial: Acreditamos na integração da história local ao ensino formal, na valorização da memória oral e das narrativas comunitárias e no patrimônio como ferramenta de cidadania.2-Territórios Criativos: Entendemos a cultura como prática cotidiana, reconhecendo saberes e fazeres locais e fortalecendo redes comunitárias como base do desenvolvimento cultural.Público prioritário: Nosso foco está no Ensino Fundamental II das escolas públicas, nas comunidades periféricas e rurais, e na formação de agentes culturais, educadores e lideranças comunitárias.
A Epocriativa é, antes de tudo, um gesto de retorno consciente: à cidade, às pessoas e às histórias que insistem em permanecer vivas quando encontram cuidado, escuta e compromisso.
Entre Belo Horizonte, Itabira e o Rio: arte, memória e o destino de voltar
Entre Belo Horizonte, Itabira e o Rio de Janeiro, percorri caminhos abertos pela arte e pela pesquisa — e, diferente de Drummond, meu destino foi retornar com a minha empresa para Itabira. Esse retorno não foi imediato nem simples: foi tecido ao longo de anos de vivências, encontros e deslocamentos que moldaram minha escuta, meu olhar crítico e meu compromisso ético com a cultura. Como artista e pesquisadora independente, participei de projetos culturais que marcaram profundamente minha formação estética e política. Atuei como atriz no filme Vinho de Rosas (2005), dirigido por Elza Cataldo, onde conheci Maurício Tizumba. Anos depois, o reencontro no Rio de Janeiro — agora como um dos protagonistas do espetáculo Grande Otelo – Eta Moleque Bamba! — revelou como a cultura cria círculos invisíveis de continuidade e pertencimento.Fui convidada pelo diretor teatral André Paes Leme para integrar o projeto Grande Othelo – 90 anos, realizando a organização do acervo do artista e a pesquisa para o espetáculo, no qual também atuei como assistente de direção. Em paralelo, dei suporte de pesquisa a Sérgio Cabral para o livro Grande Otelo: uma biografia. Essa experiência foi decisiva para aprofundar minha consciência sobre a preservação da memória negra no Brasil e sobre os desafios enfrentados pelas famílias na gestão do patrimônio cultural deixado por artistas negros — uma reflexão que carrego até hoje.
Atuei ainda como pesquisadora pelo CRAP – Centro de Referência das Artes Plásticas de Minas Gerais e como assistente de pesquisa na exposição Declaração de Bens, de Márcio Sampaio, na Grande Galeria do Palácio das Artes, em 2005. Esses trabalhos consolidaram minha vocação para o cuidado da memória, da arte e das histórias que estruturam nossa identidade cultural.Em todo esse percurso, a presença amiga de Sebastião Andrade foi fundamental — no acolhimento no Rio de Janeiro e nas trocas constantes em torno da Amorita, em Itabira. Ele sempre me dizia, com a serenidade de quem entende o tempo: “Um dia, vamos rir de tudo isso.” Essa frase ficou como lembrança e como horizonte.
domingo, dezembro 28
domingo, julho 7
Griotismo Reverso a Jornada do Pertencimento "Afroturismo, em Sabará-MG"
Griotismo Reverso: "Eu, Griot!": Projeto Pertencimento-Afroturismo-Fase de Implantação
O subprojeto "Eu, Griot!" sobre Genealogia e Histórias Local e Oral, faz parte do plano de ação do Projeto "Pertencimento-Afroturismo", uma parceria da Casa Aleijadinho, Secretaria de Cultura e Turismo de Sabará-MG e Escola Municipal "Edith de Assis Costa":
-"Qual é a nossa origem?"
-"Quem são nossos avós, bisavós, tataravós...?"
-"De onde eles vieram?"
-"Quais as raízes históricas do Bairro Rosário I, de Sabará, o nosso lar?"
Trata-se de uma Trilha de Conhecimento que articula Educação Patrimonial, Turismo Cultural e Cultura de Paz.
Iniciado em abril de 2024, foi oferecido um Curso de 40 horas de "Monitor de Turismo Receptivo-Local" para 12 funcionárias da Secretaria de Cultura e Turismo, com participação de Sandra Talabar, Gestora do Clube Mundo Velho.
Dentre as demandas geradas pelo curso, ficou acordado que havia duas necessidades fundamentais:
1-Criar um roteiro que fosse agendado, previamente, para articulação de todos os agentes locais criando assim uma melhor experiência para o turista;
2-Aumentar a sensação de Pertencimento da Comunidade utilizando a escola como ponte entre o Centro Histórico e a Periferia;
Trabalhando desta forma, passamos por uma etapa de sensibilização sobre as oportunidades geradas e como levarmos até a Culminância no mês de novembro que integra 3 atividades fundamentais para a Educação Patrimonial e visibilidade do turismo local:
a)Festival de Jabuticaba
b)Dia do Barroco Mineiro
c)Dia da Consciência Negra
Para tal, entre agosto a novembro de 2024, fica sob a responsabilidade da Secretaria de Cultura e Turismo:
1-Oferta Curso de Monitor de Turismo com 80 horas, turma 2, tendo como público-alvo os receptivos das Igrejas, Guias de Turismo, alunos da Escola Edith de Assis Costa e membros da Associação do Bairro.
2-Apadrinhados de alunos do ensino fundamental II pela 1ª Turma, funcionárias da prefeitura e terão acompanhamento até os eventos culmintantes, com visitas monitoradas para conhecer o Centro Histórico
3-Revisão dos Guias Turísticos e inclusão dos novos pontos: Rota dos Escravizados do Rosário I, Casa Aleijadinho, Clube Mundo Velho e Praça do Cabral.
4-Inauguração de 5 (cinco) Barracas das Quitandeiras ao longo do roteiro para café da manhã e lanche;
5-Comemoração da Semana do Folclore (agosto de 2024) e Dia do Barroco Mineiro (novembro de 2024)
Na escola, dentro da disciplina História que articula várias fases até chegarmos à Culminância, em novembro de 2024, Dia da Consciência Negra:
1-África antes dos Europeus-abril, maio e junho de 2024
2-Prêmio "Mestre Aleijadinho" - História da Arte na Escola e Roda de Conversa "Foi Vovó Helê que me contou!"- junho(fase1) e agosto (fase 2) de 2024
3-Rodas de Conversa "Quem foi Bento Epaminondas" - Restaurante Quintal do Ouro - Agosto de 2024
4-Olimpíadas de História com temas relacionados ao Turismo, Culinária Sabarense, personalidades históricas como Bento Epaminondas e Antônio Francisco Lisboa-o Aleijadinho e o Clube Mundo Velho- junho (fase 1) Setembro, (fase 2) e outubro de 2024 (final)
5-Griotismo Reverso: Rodas de Conversa no Mundo Velho e Contação de Histórias sobre Aleijadinho (outubro de 2024) Comemoração do Mês do Idoso e Mês da Criança
6-Concurso de Oratória - Prêmio Bento Epaminondas. Tema "Eu tenho um sonho para a nossa cidade!" - Outubro de 2024
7-Turismo Invertido - Alunos apresentam para os moradores de Terceira Idade o Centro Histórico de Sabará, ao final, Roda de Conversa no Mundo Velho - Novembro de 2024
8-A presença do Barroco em Sabará - Roda de Conversa na Casa Aleijadinho
9-Culminância - Dia da Consciência Negra e Festival de Jabuticaba (Novembro de 2024 /Encerramento)
Nesta jornada, "Eu, Griot!" dialoga com o Eu, Robô, fazendo perguntas, buscando respostas e cruzando dados que os algoritmos não dão conta de alcançar, pela História Oral, acessando a avó, a avó da avó, a avó da bisavó... até onde a diáspora permite...
#pertencimento #afroturismo #eu,griot #genealogia #históriaoral #raízes #rosárioI #sabarámg #afroturismo
sexta-feira, junho 7
Secretaria de Cultura e Turismo e Casa Aleijadinho promovem o Curso de atualização e capacitação para Monitoras de Turismo Local, em Sabará-MG
"Uma parceria entre a *Secretaria de Cultura e Turismo* e a Casa Aleijadinho, resul na Primeira Turma de *Monitoras de Turismo Local*Ministrado por Lucia Tania Augusto, Professora de História e Administradora da *Casa Aleijadinho* tem como público-alvo funcionárias do Receptivo da Cidade CAT, Teatro, Solar Padre Correia, Cinema) e as empresárias Cristiane Silva do Quintal do Ouro e Sandra Talabar do Clube Mundo Velho. O objetivo da capacitação é fomentar o Turismo Cultural, a Educação Patrimonial e Cultura de Paz, avançando na direção de uma cidade ainda mais inclusiva e que valoriza a atuação do público feminino na construção da sua história."
sexta-feira, março 29
A fascinante trajetória do Empreendedorismo Estrutural das mulheres de Sabará: dos ofícios das Quitandeiras e Negras de Tabuleiro até os Festivais de Gastronomia - Jabuticaba, Orapronobis e Banana - Parte 1 "A origem"
Quando criamos o NEHCCAO- Núcleo de Estudos Histórico-Culturais/ Ofícios a tarefa ficou um pouco mais delicada porque além de compreender os ofícios masculinos, por meio de Aleijadinho, também deveríamos resgatar a imagem da sua mãe, sua face Africana.
Fascinante como as mulheres Sabarenses são especialialistas em consolidar costumes ancestrais de forma consistente a ponto de alguns deles se transformarem em Patrimônio Imaterial e fonte de renda não só para a individualidade, mas toda cidade e região.
Os resultados atingidos são o nosso foco pois explica a veia empreendedora da mulher Sabarense, herdada das avós, mães, tradicionais supridoras de afeto e alimentos que tornam mais apetitosa a história de nosso Estado.
Arrisco, neste artigo, dar o nome de Herança Cultural e, pela extensão do assunto escreveremos este artigo em duas partes.
A primeira tratará da ocupação do território das Minas Gerais do Período Colonial com a presença das Negras de Tabuleiro e/ Quitandeiras, buscando a herança deixada por elas na vida comercial de Sabará com seus restaurantes, feiras, criação de produtos e serviços.
Na segunda parte, o turismo e a movimentação do setor gastronômico na cidade e distritos: Pompéu, Ravena.
Como compreender porque os três festivais gastronômicos da cidade foram criados e são liderados pelas tão bem comportadas mulheres Sabarenses? Vamos voltar um pouco na história?
Segundo historiadores, (você pode conferir parte da lista no final deste artigo) antes mesmo da chegada dos europeus e da captura de africanos para servirem de mão de obra escrava, havia um intenso comércio liderado por mulheres dentro da África e que não eram responsáveis só pelo provimento de produtos para o comércio local, elas também eram responsáveis pela comunicação entre lugares como lideranças empreendedoras.
No texto "Conexões e identidades de gênero no caso Brasil e Angola , Sécs. XVIII-XIX" de
Selma Pantoja
temos a pesquisa da história de Angola, que aborda as "relações de
gênero" do Atlântico Africano e as necessidades do pequeno
comércio ou do trabalho agrícola, para o suprimento de produtos de primeira necessidade, observando as pequenas comerciantes das cidades ( as quitandeiras),
para as donas de terras com o cultivo de alimentos básicos ( as donas de arimos),
(...) mulheres livres e escravas."
Deste ponto de vista, a experiência
vivida por mulheres brancas e negras no quadro da expansão marítima portuguesa, identifica como "mecanismos de
implantação dos Impérios europeus" integrado com a atuação das quitandeiras e suas habilidades comerciais pré-existentes. Práticas ancestrais dentro do imenso território do Continente Africano.
Para consolidação e funcionamento de centros urbanos como Sabará, desde a descoberta, havia necessidade do plantio de pequenas lavouras e formas de circulação de serviços e alimentos.
Estes ofícios, em versão moderna, identificam as empreendedoras desde então, produtoras e comerciantes. Observados os ofícios da cadeia produtiva como um todo: plantio de hortas domésticas, cultivo, colheita, processamento, embalagens, logística de entrega e vendas nos centros urbanos e regiões. Sem proteção institucional, na base do preconceito, apagamento e exclusão, inclusive dos livros tradicionais de história do ensino formal.
Aprofundando em Minas do período colonial teremos as Negras de Tabuleiro.
Neste verbete do "Dicionário Histórico das Minas Gerais-Período Colonial" organizado por Adriana Romeiro e Ângela Viana Botelho, define-se assim:
"Vendedoras ambulantes que percorriam as ruas dos arraiais, das vilas e cidades da América Portuguesa, como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, comercializando mercadorias as mais diversas, como pastéis, doces, mel, leite, frutas, aguardente etc. Constituíam uma categoria profissional urbana, existindo negras de tabuleiro escravas, crioulas e africanas, libertas e livres, pretas, mulatas e brancas." Liana Maria Reis, páginas 211 e 212. Editora Autêntica: Belo Horizonte. 2004.
Busque o tema em outros autores como: Eduardo França Paiva, Emmanuel Araújo, Luciano Raposo de A. Figueiredo, Laura de Mello Souza e, para este texto: Liana Maria Reis em "Mulheres de ouro: as negras de tabuleiro nas Minas Gerais do século XVIII."
Selma Pantoja: https://www.escavador.com/sobre/1223841/selma-alves-pantoja
Por Lucia Tania Augusto
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